Numa economia ameaçada pela volta da inflação, o comércio segmentado em determinadas ruas de Curitiba está se tornando uma alternativa interessante para o consumidor. Quem precisa poupar tempo, mas não dispensa uma rigorosa pesquisa de preços, encontra nestas ruas várias opções de compra. Só no centro e em bairros próximos são pelo menos dez locais que concetram um único tipo de estabelecimento em apenas uma via.
Os estabelecimentos espalhados por ruas do centro e bairros da cidade vendem de tudo para atender a mais variada gama de clientes. Há trechos de ruas em que se comercializam praticamente só auto-peças, outras que concentram concessionárias de automóveis, pontos de venda de malhas e roupas, lojas de artigos para noivas, restaurantes, lojas de eletro-eletrônicos e calçados. Até o setor de serviços está aderindo à concentração. A Avenida Manoel Ribas, por exemplo, concentra 57 escritórios de arquitetura.
Esta tendência de concentração de um tipo exclusivo de atividade econômica não foi algo planejado. De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a proliferação de ruas com comércio temático aconteceu devido a ‘‘vocação’’ que partiu dos primeiros lojistas que resolveram apostar numa região para tocar sua empreitada. O negócio foi dando certo para os pioneiros e atraiu outros empreendedores dispostos a investir no mesmo ramo de atividade.
A empresária Márcia Schier Brock acha que a segmentação é o futuro do comércio de rua. ‘‘O local cria uma identidade própria e o consumidor sabe que ali vai encontrar o que procura’’, comenta. Coordenadora da Câmara Setorial de Bairros da Associação Comercial do Paraná (ACP), Márcia acredita que até o empreendedor sai ganhando. ‘‘Num shopping center o custo de manutenção de uma loja é muito caro, o que obriga o lojista a criar outros meios para trabalhar’’, exemplifica ela, referindo-se ao comércio de rua.
O Boqueirão, por exemplo, é um dos bairros da cidade que mais concentra um único tipo de atividade numa mesma região. Segundo dados da ACP, só no setor varejista, atacadista e de indústria de confecções existem 360 estabelecimentos localizados no bairro. Cerca de 270 atendem pelo varejo, o que faz da região um grande mercado de malhas e roupas capaz de atender o Estado inteiro.
Para Márcia Schier Brock, o Boqueirão sempre ofereceu grandes áreas desocupadas que resultaram na atração de malharias e lojas. ‘‘Foi um comportamento de espaço oferecido naquele local’’, acrescenta.

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