Érika Pelegrino
De Londrina
Poluição, barulho e engarrafamento fazem parte do dia-a-dia da Rua Sergipe, no centro de Londrina, via considerada pelas empresas de ônibus como estratégica para a entrada e a saída de ônibus do Terminal Urbano de Transporte Coletivo. Pedestres, comerciantes e mesmo motoristas dos ônibus encontram dificuldades na via, principalmente nos horários de rush.
Para os comerciantes, o barulho e a poluição provocados pelo tráfego de ônibus é um dos grandes problemas da rua. Joaquim Nhã, gerente da loja Pague-Pouco, resume as reclamações da maioria dos comerciantes. ‘‘É muito barulho o dia todo. Quando passam quatro, cinco ônibus encarreados, a gente tem que gritar com o cliente. Sem contar a poluição. A loja fica cheia de pó’’, afirma.
O gerente de vendas Ângelo Benedito não concorda com a posição da maioria dos comerciantes. Ele diz que considera bom o tráfego de ônibus. ‘‘Funciona como um marketing para a loja. Os passageiros vêem as mercadorias expostas e depois voltam para comprar’’.
A auxiliar administrativa Natalina Batista Marques, 51 anos, tem na Sergipe um itinerário obrigatório no seu dia-a-dia, mas como pedestre. ‘‘Eu sempre passo por aqui para ir ao trabalho, para pagar contas, para fazer compras’’, relata. ‘‘Considero esta rua perigosa porque o movimento de veículos é muito grande’’, complementa.
Para as empresas de transporte coletivo, a via estreita e o tráfego intenso são os maiores problemas enfrentados pelos motoristas de ônibus. Jaime Eufrásio da Silva, gerente de tráfego da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), reclama que além de ser estreita, em alguns trechos a Sergipe tem estacionamento permitido dos dois lados, dificultando ainda mais o tráfego.
‘‘Nestes trechos a rua sofre um afunilamento, permitindo que apenas um ônibus passe no local. Os motoristas de veículos comuns acham que estão sendo fechados, mas não é isso. A rua que é muito estreita’’, afirma Jaime.
O congestionamento faz, segundo ele, com que aumente o tempo de rodagem dos ônibus no trecho da Rua Brasil até a Professor João Cândido. ‘‘O tempo normal para percorrer este trecho seria de quatro minutos, mas os ônibus estão levando 10 minutos’’.
A solução que está sendo pleiteada pela TCGL junto ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), segundo Jaime Eufrásio, é a implantação da onda verde (os semáforos sincronizados) na Sergipe.
O gerente de tráfego da TCGL sugere ainda que os veículos particulares optem por outra via nos horários de rush. Segundo ele, a Sergipe é um ponto fundamental no itinerário dos ônibus por ser mais próxima do terminal. ‘‘O usuário de ônibus tem que ter prioridade porque ele está a p钒, afirma.
Outra saída que pode amenizar o problema, na opinião de Jaime Eufrázio, é proibir o estacionamento dos dois lados da rua. Joel Augusto, gerente de tráfego da Francovig, também concorda que existam dificuldades, mas afirma que mesmo assim a Sergipe é o melhor itinerário para a empresa.
Lúcia Brandão, diretora de operação da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), defende que o transporte coletivo tenha preferência. ‘‘Um ônibus transporta a média de 50 pessoas, enquanto o veículo particular transporta em média 1,2 pessoa’’, justifica.
As vias e as faixas exclusivas para ônibus seriam uma forma de dar preferência ao transporte coletivo, segundo Lúcia Brandão. As vias exclusivas deveriam ser implantadas em locais onde, no horário de rush, trafeguem até 60 ônibus. ‘‘Em Londrina, a via exclusiva só se justifica na Benjamim Constant e em parte da Leste-Oeste, próxima ao Terminal Urbano de Transporte Coletivo’’, informa Lúcia Brandão.
A diretora de operação da Comurb lembra que as faixas exclusivas já foram testadas em Londrina. ‘‘Mas não deu certo porque foi feita em ruas em que o tráfego de ônibus não era intenso’’, explica Lúcia Brandão.
Segundo ela, as faixas exclusivas só se justificam se ficarem ocupadas 70% do tempo de operação, o que representa 14 horas por dia. Quanto à sugestão de implantação dos sinaleiros sincronizados, Lúcia Brandão concorda. Semáforos programados para em determinados períodos aumentar o tempo de sinal verde também estão na lista de alternativas. ‘‘Nós (Comurb) estamos estudando algumas sugestões para serem feitas ao Ippul neste sentido’’, diz Lúcia Brandão.
Mário Stamm Júnior, presidente do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), afirma que a ampliação da Sergipe no trecho que vai da Avenida São Paulo até a Rua Professor João Cândido, de 5,5 metros para seis metros, está sendo estudada.
Outra alternativa em estudo pelo Ippul é tirar os ônibus da Rua Sergipe e passá-los para a Rua Mato Grosso. ‘‘Esta é uma possibilidade que pode ser estudada agora que foi feita a ligação da Rua Mato Grosso com a Avenida Leste-Oeste’’. Segundo Stamm Junior, a possibilidade está sendo analisada e ainda depende de estudos de itinerário pela Comurb e pelas empresas de transporte coletivo.Comurb estuda soluções para agilizar trânsito em uma das vias mais movimentadas do centro de Londrina
Paulo WolfgangEnquanto o gerente de loja Joaquim Nhã (ao lado) reclama do barulho e da poluição provocados pelos ônibus, as empresas de transporte coletivo acreditam que a Rua Sergipe (acima), apesar de congestionada e estreita, é ‘estratégica’

mockup