Em quase dois quilômetros de extensão, ela abriga tudo o que pode ser pensado em termos de comércio. Motivo suficiente para que a Rua Guaporé, na Vila Nova, Área Central de Londrina, ganhasse fama ao longo dos seus 55 anos.
Até mesmo quando o asfalto não era lá dos melhores - o paralelepípedo predominou até o fim da década de 70 - ela já era frequentada por aqueles que iam em busca de peças automotivas, pneus novos, ou até mesmo uma cadeira para a varanda de casa.
Com o tempo, sofreu mudanças e passou a abrigar mais casas comerciais, o que causou uma certa ''exclusão'' das residências. Mas essa percepção é só à primeira vista, pois muitos moram nos fundos do próprio comércio. É o caso de Marien Janene, de 48 anos. ''Moro aqui há 32 anos e tive que me acostumar com tanto barulho e movimento. Aqui sempre foi uma rua comercial, até mesmo quando a Rua Tietê ainda era de terra'', comenta Marien, que ajuda a mãe Emne, na loja que fica em frente à residência.
Quem também guarda lembranças do tempo em que a poeira invadia lojas e produtos é o frentista Raufer Monteiro, de um dos postos de combustível mais antigos da cidade, o Posto Obelisco. ''Eu vinha abastecer o carro com meu pai, ainda menino e lembro que aqui na BR-369, era só mato. Hoje, a rua virou ponto de referência. Todo mundo conhece aqui'', conta.
Além do posto de gasolina, a via também abriga uma das farmácias mais antigas e tudo quanto é tipo de comércio. É por isso que muita gente consegue resolver tudo o que precisa por ali mesmo. Por exemplo, quem quiser procurar um emprego, é só chegar no número 272, onde fica a Agência do Trabalhador de Londrina. Enquanto isso, dá para deixar o carro revisando em uma das inúmeras lojas especializadas no ramo.
Para não perder o almoço, em cada esquina tem uma lanchonete ou se preferir o supermercado oferece comida quentinha. Passou mal? Farmácia é o que não falta. E se tiver um tempinho de sobra, dá até para alugar um filme, comprar acessórios para uma boa pescaria, melhorar o visual em um dos salões de beleza ou encomendar uma roupa nova.
Com tanta opção assim, dificilmente algum morador vai querer se mudar de lá. Pelo menos, é o que garante Marien. ''Eu nunca pensei em morar em outro lugar porque aqui tenho de tudo. Mas o melhor mesmo é poder fechar a porta da loja e já estar dentro de casa'', confessa.

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