A Rua Beatriz Ribas virou motivo de disputa entre a Copel e moradores da região do Jardim Pioneiros (Zona Leste de Londrina). A via, que passa ao lado da subestação da companhia, está sendo extinta para construção de um muro. Revoltados, moradores protestaram ontem e chegaram a impedir, no início da tarde, o trator que iniciava a obra. A queda de braço é antiga e a Copel argumenta que a rua foi construída irregularmente.
Segundo os moradores, a rua existe desde a liberação do loteamento há cerca de quatro anos e é um dos acessos mais utilizados entre o Pioneiros e o Jardim Interlagos. ''Moro aqui há 34 anos e essa cerca da Copel sempre foi aí, não sei porque agora eles querem tirar. Se fizerem isso teremos que dar uma volta enorme'', reclama a dona-de-casa Aparecida de Fátima, 50 anos.
Segundo ela, o trajeto se tornará também mais perigoso. ''Sem a rua nos resta passar pela Avenida dos Pioneiros, que não tem calçada; para as crianças é muito perigoso''. As duas escolas da região estão no Jardim Antares. A rua em querela é a única sem asfaltamento no bairro, o que é outro motivo de reclamação.
''Essa rua está registrada no Aqui (lista telefônica por ruas) e nos mapas da prefeitura, como a Copel pode dizer que é dela? Se fizerem o muro nós vamos derrubar'', reclama um morador. Segundo ele, em mais de uma ocasião o loteador inciou as obras de asfaltamento que foram embargadas pela Copel.
A assessoria de imprensa da Copel informou que o loteamento invadiu o recuo da Copel e a rua foi construída de forma irregular. A área é alvo de disputa judicial entre companhia e loteadora desde 2000. Em agosto de 2002, a empresa entrou com recurso no Tribunal de Alçada e conseguiu direito de pleno uso. A assessoria informou também que a construção do muro objetiva garantir a segurança tanto da Copel como dos vizinhos e que a rua colocaria em risco a subestação. A decisão sobre a efetivação da obra foi tomada após assaltos à subestação.
O loteador da área, Max Lobato Salles, nega que tenha invadido a área da empresa. Segundo ele, quando o terreno onde o loteamento foi comprado o projeto foi realizado com base na atual divisa e aprovado pela prefeitura.
Segundo ele, houve uma tentativa de negociar a área com a Copel extrajudicialmente, sem resultado. ''Essa situação é ridícula, para nós é até mais barato, mas quem perde é o cidadão que fica sem a rua''.

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