Rua é fechada em Vila Osternack
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de agosto de 1998
Dimitri do Valle 
Atropelamentos e rachas frequentes provocaram o bloqueio da avenida Guaçuí, em Curitiba, por mais de duas horas na tarde de ontem. Os moradores da Vila Osternack, no Bairro Novo, incendiaram pneus e pedaços de madeira que serviram de barricadas para interromper o trânsito entre 16 e 18 horas. Cerca de 150 pessoas protestaram contra a falta de segurança na avenida onde já morreram dois pedestres na última semana, entre eles uma menina de 8 anos atropelada por um ônibus na terça-feira passada.
Os moradores pediram mais policiamento e a instalação de lombadas para diminuir a velocidade dos carros que chegam a trafegar a 120 quilômetros por hora. O pedreiro José Aparecido de Oliveira, 32 anos, classificou a avenida Guaçuí como o corredor da morte. Desde que a via foi asfaltada, há 90 dias, Oliveira disse que os problemas começaram. Ele perdeu o pai, Elias Rosalino de Oliveira, 66 anos, no domingo retrasado, dia 2. O carro que o atropelou estava acima de 100 quilômetros por hora, freiou por cerca de 20 metros e ainda jogou o corpo de Elias a uma distância de 12 metros. O pedreiro lembrou ainda que motoqueiros cobrem as placas das motos com papelão para promoverem rachas, sem que a Polícia Militar tome qualquer providência para coibir os abusos.
Queremos apenas os nossos direitos, disse o pedreiro José Aparecido, um dos organizadores da manifestação. Ele pediu que o diretor-geral da Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), Kasuo Sakamoto, e o governador Jaime Lerner intercedam para acabar com o medo dos moradores. A nova pavimentação da avenida Guaçuí ainda nem foi inaugurada, mas os moradores prometem que se as reivindicações não forem atendidas, novos protestos vão acontecer. Os manifestantes anunciaram que irão abrir uma valeta na avenida para tentar coibir o excesso de velocidade dos automóveis, caso as lombadas não sejam instaladas.
O serralheiro Gilberto Nunes, 44 anos, acredita que o problema só será resolvido se os moradores estiverem representados por personalidades políticas de influência em Curitiba. Se não pegar um político bem forte, tem que estar sempre correndo atrás disso aí, disse Nunes em relação a movimentação. Na opinião dele, o fechamento da avenida é a única maneira para pressionar as autoridades. Acho que está todo mundo certo em fazer este tipo de coisa. A velocidade aqui é muito grande, observou. Os moradores chegaram a fazer um mutirão pelas borracharias do Bairro Novo. Eles estavam atrás da matéria-prima utilizada para caracterizar o protesto: pneus usados.


