Rua do Umbará sofre com pó e ônibus
James Alberti
De Curitiba
A transferência da sede da empresa de transporte coletivo Viação Cidade Sorriso, há 12 dias, para a rua Profeta Isaias, no bairro Umbará, em Curitiba, criou um impasse entre os moradores da região, a prefeitura e empresa. Os moradores afirmam não aguentar o convívio com o pó produzido pelos 270 ônibus que passam pelos 200 metros da rua que não são asfaltados. Na noite de anteontem, um protesto ameaçou impedir a entrada e a saída dos coletivos. Somente depois de muita conversa, os funcionários da empresa conseguiram convencer os moradores a liberar o acesso.
O administrador regional do Bairro Novo, que responde pela área do Umbará, Pedro Clailton Pelanda, disse que uma solução já está sendo estudada. Conforme ele, há uma discussão entre a prefeitura e a empresa para a implantação de um asfalto definitivo. A construção de um antipó, conforme teria sugerido a direção da empresa, não é indicada pelo administrador regional. O problema da população será resolvido. Uma coisa ou outra será feita, disse. Para ele, no entanto, o tráfego intenso de ônibus destruiria rapidamente o antipó.
O pastor Dilson Alves, que organizou o protesto, disse concordar com Pelanda. Com certeza o antipó não resiste, afirmou. Para Alves, o problema já deveria ter sido resolvido, pois, segundo ele, há dois anos as autoridades sabem que a empresa iria para o bairro. Com o aumento do tráfego, o pastor acredita que tenha aumentado o risco de acidentes com moradores do bairro. Deus livre que ocorra um acidente aqui. Daí a coisa vai ficar difícil, disse.
Acidentes não aconteceram, mas moradores afirmam ter ficado doentes por causa da poeira. São comuns as histórias de problemas respiratórios ou alergias. Um dos casos mais graves, de conhecimento de todos os moradores da rua, é o do menino Jyan Matheus Lourenço, 2 anos, filho da manicura Denise Siquinelli Cândido de Deus, 28 anos. Há 12 dias, desde que a empresa mudou para o bairro, a criança fica trancada em casa. Segundo Denise, a poeira agrava sensivelmente a bronquite asmática e a alergia do menino.
O comércio também sido prejudicado. A balconista Marisa Pires dos Anjos, 19 anos, disse que a loja tem deixado de vender por causa do aspecto das roupas e calçados. A gente limpa todo dia, mas não resolve, contou. O comerciante Lauro Evangelista, 38 anos, não consegue usar as mesas da parte de fora de seu bar porque os clientes são incomodados pela poeira. Lá fora o pessoal não pode comer ou beber alguma coisa, disse. Segundo Dilson Alves, não estão descartados novos protestos caso o problema não seja resolvido.Mudança da sede de empresa que tem 270 ônibus em rua sem asfalto faz moradores protestarem e pedirem auxílio à prefeitura
Kraw PenasPoeiraMoradores próximos à rua Profeta Isaías sofrem com a passagem dos ônibus que levantam poeira para todo o bairroKraw PenasAlergiaO menino Jyan, com a mãe Denise Siquinelli, não pode sair de casa





