Campo Mourão - A primeira e única ‘‘rua do ofício’’ implantada em um conjunto habitacional de Campo Mourão não deu certo. Seis anos após a construção do conjunto Diamante Azul (Asa Leste), apenas uma das 44 salas que deveriam ser usadas para aumentar a renda dos moradores continua em atividade. As outras viraram quartos, salas, cozinhas e até despensas.
O cabeleireiro José Inácio da Silva, o ‘‘Juca’’, é o único que ainda resiste no local. Mas é por pouco tempo. Cansado da baixa clientela, ela vai tirar o salão do conjunto. Juca se diz arrependido de deixar o emprego em um salão no centro da cidade para trabalhar na rua do ofício. Hoje ele sobrevive trabalhando nos finais de semana em Bourbônia, distrito de Barbosa Ferraz.
A dona-de-casa Bernardina Rodrigues de Freitas chegou a manter um bar e merceria por quatro anos, mas desistiu por falta de recursos. ‘‘Estava dando muito pouco’’, conta. Agora um filho dela pensa em usar a sala com bicicletaria. A vizinha dela, Maria Helena Oliveira, chegou alugar o cômodo para uma quitanda, que também fechou. ‘‘Agora é minha despensa’’, diz.
O vigilante Gérson Alves da Silva comprou a casa na rua do ofício há quatro anos. ‘‘Quando comprei já era cozinha e deixei assim’’, conta. Ele reclama que o cômodo de 12 metros quadrados não comporta um comércio. Já Acácio Duarte preferiu transformar a sala extra em quarto. ‘‘A casa era pequena e a gente não tinha recurso para montar nada’’, explica.
O chefe do escritório regional da Cohapar em Campo Mourão, Sebastião Carlos Mauro, disse ontem que o órgão fez tudo o que era possível para tentar melhorar a renda dos moradores através da rua do ofício. Os mutuários dessa rua pagam uma prestação de R$ 35,00, cerca de R$ 10,00 mais caro que a mensalidade das casas das demais ruas do conjunto.

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