Rua de Recreio encanta crianças na zona norte
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sexta-feira, 09 de outubro de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local
Quando ouviu a diretora da escola convidar para uma Rua de Recreio, a pequena Lara Kawany Ramos de Jesus, de apenas 9 anos, confessa que não sabia do que se tratava, mas pensou: "Eu vou porque vai ter um monte de gente, vai ser legal". Chegando ao salão da Igreja São José de Anchieta na tarde de ontem, ela viu que realmente estava certa, e ficou ainda mais feliz: "Não sabia que ia ter brincadeira, vou ficar até o final porque gostei muito".
E assim a garotinha moradora do Conjunto Parigot de Souza 2 (zona norte de Londrina) descobriu o que é uma Rua de Recreio. Em plena era digital é cada vez mais comum encontrar crianças como Lara, que sabem muito bem manusear um celular ou um tablet, mas pouco conhecem brincadeiras de rua. Essa é a preocupação de quem organizou a Rua de Recreio no bairro. "É a terceira vez que fazemos. Muitas crianças de hoje em dia que não têm isso. Queremos mostrar para a população que é possível", contou o técnico de enfermagem José Valtair de Oliveira.
A ideia de fazer a Rua de Recreio nasceu na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Parigot de Souza 2. Valtair e os colegas que o ajudaram na organização queriam proporcionar aos pequenos uma tarde de alegria às vésperas do Dia das Crianças.
Pelo sorriso estampado no rosto do Matheus Garcia, de 11 anos, a missão foi alcançada. "Para mim também é a primeira vez e gostei bastante de tudo. Se tiver ano que vem de novo, eu vou vir", prometeu o garoto. Com os cabelos pintados e um desenho do distintivo do Londrina pintado no braço, ele sequer se importava com o banho. "Ficou muito fera (o desenho). Pena que vai sair depois", lamentou.
A costureira Lídia de Oliveira, de 42 anos, até estranhou quando ficou sabendo do evento, mas não pensou duas vezes em deixar o trabalho um pouquinho de lado para proporcionar um dia diferente aos netos Ana Clara, de 4 anos, e Gabriel, de 2. "Hoje infelizmente não existe mais. Minha neta mesmo só fica no celular, e eu quis trazer para eles aprenderem as brincadeiras que a gente tinha antigamente", ressaltou a avó.
E não foram somente as crianças que gostaram. Morador do bairro desde criança, o agente de manutenção geral Maurício Palioto, de 44 anos, participou de muitas ruas de recreio ali por perto. E além de levar a sobrinha Rhaira, de 8 anos, para conhecer, também aproveitou para matar a saudade dos tempos de infância. "Até entrei um pouco na brincadeira, para reviver um pouco minha época. As crianças tinham que ter mais isso aqui", pediu.
Além das brincadeiras, as mais de 150 crianças que compareceram tiveram atividades lúdicas, como música e dança, e ainda ganharam lanche, bolo e refrigerante.
E olha que por muito pouco tudo isso não foi água abaixo. É que as latinhas arrecadadas que seriam vendidas para arrecadar dinheiro para comprar os lanches foram furtadas por duas vezes. "Entraram no fundo do posto e levaram. Teve a chuva também. Parece que tinha tudo para não acontecer, mas acabou dando tudo certo. Valeu a pena demais, muito gratificante", reforçou Valtair, acrescentando que uma outra parte do que foi servido às crianças foi doado pelos empresários da região. Inicialmente, o evento estava previsto para acontecer na Rua Claudete de Souza ao lado da UBS mas foi levada para o salão paroquial por conta da chuva.
Um grupo de estudantes de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL) colaborou organizando as brincadeiras para as crianças.