Lá na Zona Leste de Londrina, no Jardim Califórnia, se esconde uma rua onde preparar salgados, bolos e doces de festa é trabalho de família. Na Rua Capitão João Busse três quituteiras de dividem numa área de 1,5 quilômetro para atender a clientela que já não se resume mais aos vizinhos, mas à cidade toda.
Moradora da rua há 34 anos, Alcina Aparecida Correia é pioneira no bairro e na preparação das delícias. Ela lembra que quando mudou para a região, a rua não tinha asfalto. ''Era só terra e pedra'', recordou. A casa da família também era simples, de madeira, e foi com a venda de salgados ''de fundo de quintal'', como descreveu Alcina, que a residência foi reformada e hoje abriga a fábrica de salgados que emprega toda a família.
''Não tinha tantas casas e a vida era simples, tranquila. Criei meus filhos aqui'', comentou Alcina. Um dos filhos dela é casado com a filha da vizinha da casa em frente, Joelma Bento de Souza, que também vive da venda de salgadinhos. De uma família para outra, de uma geração para outra, a troca de receitas promoveu o crescimento da rua, que hoje é conhecida como a rua das salgadeiras em Londrina.
''Comecei ajudando as vizinhas da frente, depois a família resolveu ajudar e o negócio se expandiu'', contou Joelma, citando que além das vizinhas, há mais dois bufês e dois salgadeiros espalhados pela rua.
''No boca a boca o serviço se difundiu pela cidade'', disse Joelma, confessando que a preferência dos clientes é pela coxinha. ''Acho que é uma preferência nacional. Às vezes a gente não consegue dar conta de tanto pedido'', comentou.
Questionada se não tem medo da concorrência, Joelma garantiu que ''o sol nasceu para todos''. ''Nos damos superbem e temos clientes em comum. Uns gostam mais do meu salgado e mais do bolo da Alcina e vice-versa'', opinou.
Moradora da rua há 24 anos, para Joelma o local mudou bastante, ''principalmente as casas. Acho que melhorou o padrão de vida das famílias que moram aqui'', declarou a salgadeira, apontando somente um defeito na rua: ''acho ruim rua com vielas''.
Para a comerciante Maria de Fátima Rodrigues Pereira, que vive na Rua Capitão João Busse há 22 anos, o local parou no tempo. ''Acho a rua muito perigosa, deveria ter mais quebra-molas porque como a rua não tem travessas, os carros passam com muita velocidade.''
Ainda assim, ela gosta de morar no bairro, onde mantém um bar e mercearia junto da casa onde mora, há duas décadas. ''A clientela é da rua mesmo, não cresce. A gente procura fazer a nossa parte, mas parece que os bairros que surgiram depois têm mais infra-estrutura que o nosso'', lamentou.

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