Imagem ilustrativa da imagem RU faz campanha contra o desperdício
| Foto: Celso Pacheco
Banners foram instalados no restaurante para conscientizar o público



O Restaurante Universitário da Universidade Estadual de Londrina (UEL) iniciou uma campanha para por fim ao desperdício de alimentos. Desde a reabertura do RU, em dezembro de 2015, o consumo de arroz aumentou 10%, mas todo esse acréscimo não está relacionado ao aumento da fome dos usuários. Uma parte desse volume excedente está indo para o lixo e preocupa a direção do restaurante.
Após a reforma, o RU substituiu os pratos por bandejas. Desde então, o prato principal, o acompanhamento e a sobremesa são servidos pelos funcionários do RU, mas o arroz ficou à disposição para que os próprios usuários se sirvam. Foi a partir daí que a direção do restaurante começou a observar a elevação no consumo do alimento. Antes, uma cuba de arroz rendia 75 porções. A partir de dezembro, com a mesma quantidade o restaurante mal consegue atender 60 pessoas, segundo a nutricionista do RU, Marisa Mayumi Kurimoto. "São 15 pessoas a menos sendo servidas pelo mesmo quantitativo de arroz. Se estivessem comendo, tudo bem, mas tem muito descarte", disse. Ela calcula que o consumo saltou de 76 gramas de arroz cru por pessoa para 83 gramas. "Estamos preocupados porque (os usuários) não estão acertando o porcionamento." O RU ainda não tem um cálculo dos custos acarretados pelo desperdício.
A campanha contra o desperdício integra um projeto dos departamentos de Design e Geociências da universidade e Marisa Kurimoto ressaltou que o objetivo não é dar um puxão de orelha nos usuários, mas apenas alertá-los. Há alguns dias, banners foram instalados no restaurante para conscientizar o público sobre a questão do desperdício e, no final de agosto, após a volta do recesso escolar, outras ações devem ser desenvolvidas.
Mas segundo a diretora do Serviço de Bem-Estar à Comunidade (Sebec), Betty Elmer Finatti, apenas a colocação dos banners ajudou a conscientizar e sensibilizar a comunidade universitária para o tema e já é possível observar uma redução no volume de alimentos desperdiçados. "Ainda não é possível quantificar, mas já houve uma mobilização e percebemos que o desperdício já diminuiu."
"Eu acho a campanha necessária. Vejo muito desperdício, não só no arroz, mas até na carne. Deveria ter a opção de um ou dois pedaços de carne, mas eles colocam dois pedaços e às vezes sobra", disse a estudante de Agronomia, Letícia Beluzzo.
"Não desperdiço porque tenho ideia do quanto consigo comer e eu também tenho que comer a mais para aumentar meu peso, mas tem desperdício no RU, sim", afirmou Luís Santana, aluno de Educação Física.
O segurança da UEL Odari Almeida já observou que o desperdício varia conforme o cardápio. "Quando é peixe, os alunos não gostam, não agrada o paladar e acaba sendo jogada fora uma quantidade maior. Mas eu não ponho no prato mais comida do que eu consigo comer porque já tenho essa consciência." Aluno de Ciência da Computação, Luiz Eduardo Moreira confirma que no dia em que o peixe entra no cardápio, é mais comida que fica no bandejão. "Eu como tudo, sou bem morto de fome, exceto quando é peixe porque às vezes está bom e às vezes não está. Se pego por acidente, acabo não comendo."
Betty Finatti adiantou que ainda será feito um estudo "bastante complexo" sobre o desperdício de alimentos no RU e que novas ações deverão ser executadas ao longo do segundo semestre.

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