Royalty poderia conter assoreamento
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terça-feira, 08 de dezembro de 1998
Vânia Moreira 
O advogado Dirceu Frederico, 62 anos, de Cruzeiro do Oeste (29 quilômetros a leste de Umuarama) apresentou à Itaipu Binacional uma sugestão para conter o assoreamento do lago da usina. Frederico defende a criação deroyalties destinados exclusivamente a um programa de conservação de solo em todo o vale do Rio Paraná, principalmente no Noroeste, onde o solo de arenito caiuá é o mais propenso à erosão. O advogado voltou a insistir na proposta depois de ler na Folha de Londrina de domingo reportagem sobre o assoreamento do lago e a ameaça que representa para a hidrelétrica.
Em abril de 1993, Frederico enviou uma carta ao então governador Roberto Requião, na qual propunha a cobrança de uma taxa sobre o consumo de energia elétrica gerada pela Usina de Itaipu para custear um programa de conservação de solos. O advogado sugeriu que a própria empresa adquirisse máquinas e fizesse curvas de nível nas propriedades rurais. O chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, encaminhou a proposta à Itaipu.
Na época, o diretor-geral Francisco Luiz Gomide informou que a usina tinha um programa de manejo de microbacias em convênio com os municípios que margeiam o lago. O programa estava suspenso por falta de verbas. Quanto aos demais municípios, Gomide alegou que o Estado mantinha programas de conservação de solo em convênio com as prefeituras. Em 1994, o advogado enviou novamente uma carta ao governador Jaime Lerner, mas não obteve resposta.
Segundo Frederico, programas de conservação de solo apenas nos municípios vizinhos ao lago não resolve o problema porque a maioria deles possui solo de terra roxa, pouco propenso à erosão. O problema mais grave está nos municípios de solo arenito ocupados por pastagens. Os programas do governo são deficitários e não atendem a demanda. Seria necessário um programa capaz de executar obras de conservação em todas as propriedades a custo zero para os agricultores, sustenta Frederico.
Morador em Cruzeiro do Oeste há 30 anos e presidente do PDT municipal, o advogado diz que uma obra grande, cara e necessária para fornecimento de energia como a Itaipu Binacional não pode se deixar inviabilizar por causa da sedimentação do lago.


