O pequeno Thierry Henry Lopes dos Santos, de 5 anos, nasceu prematuro, tem paralisia cerebral e até poucos dias atrás tinha muita dificuldade em sustentar a cabeça e o tronco, mesmo que por alguns minutos. Essa história é contada com orgulho pela mãe Suzana Paula dos Santos, pois agora essa realidade é outra. "Ele consegue até dar alguns passinhos. A sensação de liberdade dele é muito satisfatória. Ele está feliz e eu também. Espero uma melhora cada vez mais", comemora.
Essa evolução nos movimentos de Thierry ocorreu após nove dias de fisioterapia com o PediaSuit, equipamento adquirido com recursos próprios no valor de R$ 30 mil, pelo Instituto Londrinense de Educação para Crianças Excepcionais (Ilece). "O aparelho não substitui a fisioterapia convencional, mas é um complemento no tratamento. É uma conquista muito grande, pois as crianças têm liberdade inclusive para brincar. Elas podem adquirir uma independência maior em um espaço de tempo mais curto", afirma a fisioterapeuta da instituição Cláudia Kauan Menezes.
O PediaSuit funciona basicamente através de uma vestimenta nas partes superior, inferior e joelhos. "As ligas de elástico se tensionam e fortalecem a musculatura, alimentando a função mecânica do corpo. A criança faz um descarga de peso sem perceber", explica Cláudia. A roupa é interligada a cordas elásticas presas em um espaço chamado "gaiola", o que permite a movimentação e sustentação do paciente.
"O que a fisioterapia levaria um ano para apresentar resultados, estou percebendo em apenas alguns dias. Eu já havia pesquisado sobre o PediaSuit e quando fui sugerir o aparelho para a diretoria do Ilece, soube que eles já estavam pesquisando e em pouco tempo o equipamento chegou", conta Suzana, que faz questão de acompanhar todo o tratamento do filho. "Quando estou junto, ele interage mais e também acho que a atividade se torna mais produtiva", diz, durante a demonstração, ao lado da fisioterapeuta Roberta Malta da Silva.
O PediaSuit é indicado para crianças acima de 12 quilos, que têm uma lesão neurológica e consequentemente um comprometimento motor. A roupa foi desenvolvida nos anos 70 por pesquisadores russos e ao longo das décadas vem sendo aperfeiçoada. Em Cascavel e em São Paulo, clínicas e entidades já fazem uso do método. Adultos também podem se beneficiar com o equipamento, porém o Ilece adquiriu apenas roupas infantis.
A fisioterapeuta também explica que o tratamento é uma terapia intensiva e que, durante um mês, as crianças terão sessões diárias com duas horas de duração. Além de Thierry, outros 70 alunos do Ilece serão atendidos gratuitamente com o PediaSuit. "É um sonho que realizamos", conclui a diretora da instituição, Luciane Pape.

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