Da Sucursal


Kraw Penas/Folha de LondrinaAssaltantes balearam o cobrador e estilhaçaram a tiro o vidro da estação-tubo do Capão da Imbuia

Uma estação tubo estilhaçada por tiros, situada em frente à favela Trindade, no bairro curitibano do Capão da Imbuia, é o local de trabalho do cobrador Adão Hilton da Silva, 28 anos. Ele, como a maioria dos outros cobradores e motoristas de ônibus de Curitiba, está com medo de sair de casa para trabalhar. No início desta semana, o cobrador que ocupava o lugar de Silva foi baleado por assaltantes.
‘‘Tenho muito medo, mas continuo aqui porque preciso do emprego’’, diz o cobrador. Ele afirma que sua mulher e suas duas filhas ficam apreensivas quando ele vai trabalhar. ‘‘Está nas mãos de Deus’’, diz.
Nos últimos dois meses, o Comando de Policiamento da Capital (CPC) registrou 71 assaltos em ônibus de Curitiba e região. Na opinião do comandante do CPC Sérgio Tippa (deixa o cargo hoje), o problema é social: ‘‘As linhas de ônibus onde mais ocorrem assaltos são as que desembocam em favelas ou invasões de área’’, afirmou.
Segundo ele, os ônibus mais visados são os que fazem as linhas para Chapinhal, Capão da Imbuia, Tatuquara, Vila Verde, Cidade Industrial de Curitiba e para o município de Colombo. Os horários mais críticos são entre às 23h30 e meia-noite, quando os últimos ônibus estão circulando, geralmente com grande parte do dinheiro arrecadado no dia.
Silva, que trabalha há 11 anos como cobrador, diz que já é possível perceber uma mudança de comportamento entre os passageiros. ‘‘As pessoas estão com medo, entram no tubo apenas quando falta um minuto para a chegada do ônibus’’, afirmou.
A dona-de-casa Paula Marina de Araújo, 26 anos, moradora do bairro Capão da Imbuia, disse que a situação tem se agravado nas últimas semanas. ‘‘Já tentaram roubar minha bolsa duas vezes dentro do ônibus’’, disse. ‘‘Tenho muito medo, mas não tenho outra forma de chegar ao Centro da cidade. A única saída é ficar sempre alerta’’, acrescentou.
A empresa Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), que gerencia o transporte público, está estudando uma solução para reverter a situação atual. ‘‘Precisamos eliminar o dinheiro do sistema de transportes’’, diz o diretor de operações da Urbs, Euclides Rovani. Uma das formas de fazer isto, segundo ele, é implantar um sistema semelhante ao de cartões telefônicos. ‘‘O usuário compraria cartões de R$ 10,00, por exemplo, que dariam direito a um determinado número de viagens’’, explicou.
Rovani diz que o novo método está sendo estudado há dois meses e será implantado em breve: ‘‘Estamos apenas considerando qual seria a forma mais barata e eficiente de fazer este serviço’’.

mockup