Marcos Zanatta
De Maringá
Donos de floriculturas e parentes de pessoas sepultadas no Cemitério Municipal de Maringá, o único público da cidade, denunciaram ontem o roubo de vasos com flores dos túmulos. Com a proximidade de Finados, os ladrões chegam a roubar os vasos de flores naturais para vender nas ruas de acesso ao cemitério. ‘‘Não coloco mais flores na véspera, só no dia e ainda a mais barata. Não precisa nem ser muito bonita’’, lamenta a aposentada Eude Borda Carniato.
Anteontem ela limpava um dos seis túmulos da família no cemitério e disse que os roubos acontecem durante todo o ano, mas se intensificam com a proximidade do Finados. ‘‘No ano passado comprei flores artificiais para os seis túmulos e coloquei alguns dias antes. No Dia de Finados os parentes perguntavam por que não coloquei as flores’’. A filha dela, Dércia Carniato, diz que mesmo colocando um dia antes o vaso some. ‘‘Principalmente de flores naturais, que o pessoal pega para vender de novo lá fora’’, acusa.
Os donos de floriculturas confirmam a reclamação. ‘‘Os ambulantes vendem as flores a preços menores que o custo’’, diz Minéia Carden Lopes, que tem uma floricultura na frente do cemitério. Ela acredita que as flores vendidas a valores muito baixos são tiradas dos túmulos.
Outra dona de floricultura nas proximidades do cemitério, Vera Lúcia Bezerra, mostra que os ambulantes já até demarcaram onde vão trabalhar nas calçadas. ‘‘Todo ano é a mesma coisa e a gente não tem como recorrer’’, lamenta. Ela diz que os vasos saem de dentro do cemitério até de carro e ‘‘abastecem’’ os ambulantes. Vera reclama que as floriculturas geram emprego e pagam impostos o ano todo. ‘‘Chega na melhor época de vendas, perdemos para os ambulantes’’.
O administrador do cemitério, Valdenir José Miller, diz que os vasos que ‘‘somem’’ são tirados de um túmulo e colocados em outros. ‘‘Já flagramos pessoas fazendo isso’’, admite. Este é o primeiro ano em que o cemitério está todo cercado, impedindo a ação de ladrões. Além disso, nenhum veículo entra ou sai do local sem autorização. Para este Finados são esperadas milhares de pessoas no cemitério de Maringá, que tem 18 mil túmulos e 48 mil pessoas enterradas.

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