Roubo é o crime mais comum entre menores
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quinta-feira, 05 de janeiro de 2006
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Os roubos são o tipo de crime mais praticado entre os jovens com passagens pela Delegacia do Adolescente de Londrina. Do total de 658 ocorrências registradas no cartório da divisão, 300 descreveram o roubo como a ação que levou os jovens à detenção. Os números fazem parte da segunda etapa de uma pesquisa iniciada há 10 meses pela equipe de policiais da delegacia. O levantamento também mostra que a reincidência responde por mais de 20% dos registros, o que, segundo a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Camila Menezes, denuncia a ineficiência das políticas públicas.
O levantamento foi iniciado em março do ano passado e, segundo o escrivão Rui Rebello Vieira Neto, vai servir para quantificar, qualificar e mapear a prática de atos infracionais entre adolescentes na cidade. A tabulação dos registros mostra o roubo como o crime mais comum entre jovens. ''Mas a prática de atos mais graves está aumentando'', destaca o escrivão, citando como exemplos as prisões por tráfico de drogas, porte de armas e homicídios.
Os registros por tráfico somam 102 ocorrências. Em seguida, aparecem o porte ilegal de armas, com 75 registros; atendado ao pudor, furtos e arrombamentos, que somam 48; e os homicídios, com 20. ''Alguns destes crimes ainda se 'encavalam', pois o tráfico geralmente está associado ao porte de arma ou ao roubo'', explica Vieira.
Na realidade, o número de assassinatos cometidos por adolescentes é maior. O que acontece, segundo o delegado Joaquim de Mello, do Setor de Homicídios da 10 Subdivisão Policial de Londrina, é que alguns procedimentos são encaminhados diretamente para a Delegacia do Adolescente. ''O restante dos casos de homicídios que envolvem adolescentes, a polícia encaminha para a Vara da Infância'', explica Mello.
A pesquisa também aponta um número grande de reincidências: 124 adolescentes passaram mais de uma vez pela delegacia. Vieira aponta o envolvimento com o tráfico como a maior causa para a reincidência. ''O uso e a venda de drogas estão comprometendo os jovens com o crime e alterando o perfil das ocorrências. Hoje a maior violência é praticada por jovens sob efeito de drogas. São eles os autores das ameaças e dos abusos, justamente por estarem sob efeito de entorpecentes'', acredita. No caso mais grave, o adolescente passou 17 vezes pela delegacia.
Apesar de não haver referências para comparação, o índice de reincidência é avaliado como alto pela presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Camila Menezes. ''Se o adolescente é apreendido uma vez, mas volta para o crime, é porque algo não funcionou como deveria. Fica claro que estes jovens deixaram de ser atendidos em alguma fase importante da vida deles e isso vai refletir no comportamento'', analisa.
Segundo Camila, Londrina é relativamente bem atendida por programas assistenciais direcionados para jovens. Neste caso, pesa a falta de referências familiares. ''Há bons projetos na cidade, mas o jovem, muitas vezes, não se enquadra, por não ter apoio em casa. O incentivo à corrupção, ao consumismo, à intolerância e, por consequência, ao tráfico, acaba acontecendo. O adolescente que era vítima acaba vitimando alguém.''
A promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Edina Maria de Paula, foi procurada para comentar a pesquisa, mas a reportagem foi informada de que ela estaria em férias. O delegado chefe da 10 Subdivisão Policial de Londrina (10 SDP), Jurandir Gonçalves André, preferiu não avaliar os resultados.


