A descoberta, numa fazenda de Luiziana (35 km ao sul de Campo Mourão) de 51 cabeças de gado roubadas, está gerando um crise entre as polícias Civil e Militar de Campo Mourão. O caso foi descoberto pela PM, mas a Civil reclama que não foi comunicada do fato para poder abrir um inquérito e que só tomou conhecimento do roubo pela imprensa. A descoberta do gado roubado aconteceu no final de maio e até ontem ninguém havia sido preso.
‘‘Não podemos pedir a prisão de alguém por um notícia de jornal’’, diz o delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial, Roberval Butaccini. Segundo ele, o procedimento correto da PM seria encaminhar as vítimas para a delegacia para que fosse aberto um inquérito, o que não aconteceu. ‘‘Faltou colaboração’’, reclama. Para piorar, o fazendeiro Edson Lacchi, suspeito de participação no roubo, compareceu para depor na 16ª SDP, que não tinha nada registrado.
‘‘Como não havia denúncia das vítimas, tivemos dificuldades em tomar o depoimento dele’’, explica Butaccini. Ele disse que achou ‘‘estranho’’ o comportamento da Polícia Militar. O delegado operacional Lindomar Alves Júnior também reclama da PM. ‘‘O depoimento de Lacchi não convenveu, mas eu não posso pedir a prisão preventiva dele porque não existe nenhuma queixa registrada’’, diz.
No depoimento que deu a 16ª SDP, Lacchi disse que comprou o gado de um homem que conhece apenas pelo apelido de ‘‘Paraguai’’. Antes de comprar os animais, ele contou que havia arrendado seu pasto para Paraguai guardar os bois. ‘‘Ninguém arrenda um pasto sem um contrato nem compra gado sem saber o nome do vendedor’’, diz Alves Júnior. ‘‘A PM diz que o caso está no Fórum, mas lá só existe o mandado de busca e apreensão dos animais’’.
Para ampliar o atrito entre as duas polícias, um comerciante de Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão) denunciou ao delegado da cidade, Miguel Bastista Ribeiro, que foi torturado por três policiais militares de Campo Mourão para confessar o roubo de 33 das 51 cabeças de gado encontradas em Luiziana. O próprio depoimento de Lacchi à 16ª SDP, no entanto, inocenta o comerciante.
O comandante do 11º Batalhão da PM, major Nélson João Casaroli, nega que exista atrito entre as polícias. Segundo ele, a Polícia Militar só foi atrás do caso do roubo de gado porque foi ela quem recebeu a denúncia através do telefone 190. O major diz também que a intenção da PM foi resolver o caso o mais breve possível e que tudo foi acompanhado pela Justiça. ‘‘Nem sempre há necessidade de se abrir um inquérito policial’’, ressalta.
Casaroli afirma também que Lacchi se apresentou na delegacia de Campo Mourão para ganhar tempo, ‘‘provavelmente orientado por um advogado’’. ‘‘Por que ele não se apresentou no Batalhão ou na delegacia de Luiziana?’’, questiona o major. Segundo informações da PM, o roubo de gado foi descoberto por duas vítimas, que seguiram os rastros deixados pela boiada e encontraram o gado na fazenda de Lacchi. Funcionários dele teriam contado à polícia que Lacchi havia passado a noite remarcando os animais.

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