Um furto de cabos telefônicos de fibra óptica causou transtornos a mais de 34 mil pessoas de nove cidades do Norte do Estado. Ontem de madrugada, na Avenida Roberto Conceição, entrada de Cambé (13 quilômetros a oeste de Londrina), assaltantes levaram mais de 900 metros de cabos telefônicos, deixando interrompidas, por quase 10 horas, as ligações interurbanas. O gerente de rede da Telepar Brasil Telecom em Curitiba, Dejalma Formigueri, não soube informar o valor do prejuízo. A Folha apurou que só em reposição de cabos deve ser gasto em torno de R$ 10 mil e que apenas uma emenda de fios de fibra pode custar R$ 3 mil.
Os municípios de Cambé, Rolândia, Alvorada do Sul, Lupianópolis, Centenário do Sul, Florestópolis, Bela Vista do Paraíso, Primeiro de Maio e Porecatu ficaram sem comunicação com outras localidades, via telefone. O corte nas linhas atingiu órgãos públicos, corpo de bombeiros, hospitais, polícia e outros serviços essenciais. Cerca de 40 mil linhas telefônicas foram atingidas.
Depois de avaliar a gravidade do problema, a Telepar designou uma equipe composta de aproximadamente 20 técnicos para fazer os reparos necessários e substituir os cabos furtados. Apesar do alto preço dos cabos de fibra óptica – construídos com tecnologia de ponta – os assaltantes preferem os produzidos com cobre, já que os de fibra não têm valor de revenda. ‘‘O material utilizado nos cabos de fibra são caríssimos, mas não tem valor nenhum para os assaltantes. Eles estão preocupados mesmo com os cabos de cobre’’, informou Claudiomar Meneguetti, supervisor de áreas de rede da Telepar.
Os técnico da Telepar, em conversa com a Folha, suspeitam da existência de uma quadrilha especializadas em roubos de cabos metálicos em Cambé. ‘‘Essas pesssoas não sabem o que estão fazendo. A fibra óptica depois de derretida não serve para mais nada. O que tem mais valor são os cabos metálicos de cobre’’, considera um deles, que não quis se identificar. Só nessa última ação, mais 300 metros de fio de cobre foram levados.
O delegado de Cambé, Antonio do Carmo, também suspeita da ação de uma quadrilha no furto. Há 30 dias, Valdecir do Nascimento, 28 anos, foi preso por furto qualificado. Ele é apontado como possível líder do grupo, que teria outros três integrantes, todos menores. ‘‘Estamos investigando essa possibilidade. Vamos fiscalizar também os pontos de vendas desse tipo de material como ferro-velhos e centros de receptação’’, disse.

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