Rótulos especiais dos produtos transgênicos alertam consumidor
A comissão que irá atuar na regulamentação das rotulagens dos produtos transgênicos no Brasil começará a se reunir na próxima segunda-feira. Os ministérios da Agricultura, Saúde, Ciência e Tecnologia e Justiça fazem parte da comissão, que terá que terminar os estudos e apresentar uma proposta concreta ao governo federal em, no máximo, 30 dias. Segundo o presidente da comissão e diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, Nelson Faria Lins de Albuquerque, a proposta já está pronta e precisa apenas de alguns ajustes estruturais. ‘‘Vamos fazer uma rotulagem plena nos produtos transgênicos’’, afirmou ele, ‘‘a clareza da informação é fundamental para os consumidores’’.
De acordo com a proposta que será amadurecida nos próximos dias, todos os alimentos que tenham produtos geneticamente modificados deverão ter no rótulo o alerta ao comprador. No caso em que lotes de soja natural e modificada, sejam armazenadas num mesmo depósito, todos os produtos serão rotulados como transgênicos. ‘‘Como os dois produtos são muito parecidos, na dúvida colocaremos rótulo comum’’, argumentou.
Nelson Albuquerque não quis discutir o mérito da comercialização de alimentos transgênicos no País. De acordo com ele, o Ministério da Justiça não deve opinar sobre o avanço da tecnologia, mas deve informar os consumidores sobre a origem dos produtos. ‘‘Cabe a nós a orientação, nada mais’’, afirmou ele.
Pesquisa - Os ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia já liberaram a comercialização os transgênicos e terão cinco anos para analisar os produtos e verificar se algum alimento é nocivo à saúde. ‘‘Pode ser que voltemos atrás e que o governo federal proíba a comercialização dos produtos nestes cinco anos, mas acho difícil’’, argumentou Albuquerque. Entidades ambientalistas, lideradas pelo Greenpeace, fizeram várias manifestações tentando impedir a entrada da soja transgênica nos portos brasileiros ou o cultivo de lavouras da planta geneticamente modificada, mas não conseguiram sucesso. De acordo com ele, os Estados Unidos e a Argentina já estão avançados nos estudos sobre os produtos transgênicos e liberaram a comercialização. (L.P.)

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