Rotina insalubre prejudica mães e filhos
Quase no sétimo mês de gestação do seu quinto filho, a recicladora Cláudia Oliveira Santos, 30 anos, passa oito horas diárias em pé separando material junto do marido, Wilson Pereira Fernandes, 23. ''No fim do dia, minhas pernas ficam inchadas e doendo'', reclama a mulher. Ao lado deles, Maria Aparecida Fernandes, 22, também não descansa. Há três meses ela deu à luz um menino e, por necessidade, teve que voltar a trabalhar 15 dias depois. Todos trabalham sem qualquer tipo de equipamento de proteção.
Cláudia e Wilson se conheceram trabalhando na reciclagem. O casal e as crianças vivem numa casa de um cômodo no Jardim Monte Cristo, cedida pela irmã de Wilson. O único luxo é uma máquina de lavar, TV e som. Foi isso que conquistaram em quase uma década com reciclagem.
Mas se a vida simples não incomoda, a renda de cerca de R$ 800,00 do casal ainda não permitiu que Cláudia desse o presente que mais quer para as filhas e para a criança que está prestes a nascer. ''Queria construir um quarto para as meninas'', confessa a mãe. Hoje, as crianças dormem em um colchão no chão, ao lado do fogão.
Colega na reciclagem e vizinha de bairro do casal, Maria Aparecida não pára de trabalhar nem para dar entrevista. Por dia, ela separa até 125 sacos de material para garantir o sustento do filho recém-nascido que, desde os 15 dias de vida é cuidado por uma babá e não é mais alimentado com leite materno. Com apenas 22 anos, Maria é mãe de quatro crianças. (L.A.)





