Agressões verbais constantes, ameaças e até mesmo violência física fazem parte da rotina dos agentes de trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), cujo trabalho é fiscalizar o comportamento dos motoristas e autuá-los nos casos de desrespeito à legislação.
Na última semana, três profissionais foram agredidos durante ações de fiscalização. Quinta-feira passada, o agente Rangel Carlos Maria foi atingido com socos e chutes após perseguir uma van de transporte escolar que fugiu de uma blitz no Centro.
Anteontem, Edilson Bezerra do Nascimento acabou com ferimentos nas mãos após ter sido agredido durante a fiscalização de veículos na feira livre da Avenida São Paulo. Ele estava acompanhado por uma agente da companhia que também se machucou. Os blocos de autuações de ambos estão desaparecidos. De acordo com o diretor de Trânsito da CMTU, Sérgio Dalbem, foram registrados boletins de ocorrência denunciando os desaparecimentos.
''É uma rotina estressante e complicada'', desabafou Nascimento ao avaliar o trabalho que realiza diariamente. Segundo ele, os agentes têm uma imagem negativa perante os motoristas porque são os responsáveis pelas autuações nos casos de desrespeito à legislação de trânsito. ''As pessoas não entendem que trabalhamos sob chuva e sol para preservar um bem maior, que é a vida humana'', afirmou.
O funcionário da CMTU conta que as agressões verbais são corriqueiras no dia a dia dos fiscais. Já os ataques físicos, que eram raros, parecem estar aumentando. ''Os mais agressivos são os motoristas reincidentes, que cometem várias infrações'', disse. A orientação para lidar com os mais estressados é não responder às ofensas, agir com calma e informar sobre a possibilidade de entrar com recurso questionando a multa.
Londrina conta atualmente com 70 agentes de trânsito, 20 deles em serviços administrativos e o restante nas ruas. A média de idade oscila em torno de 30 anos e, apesar da função exigir apenas a formação no ensino médio, grande parte dos trabalhadores tem nível superior.
Conforme explicou Dalbem, eles trabalham em turnos de seis horas, fiscalizando e orientando o trânsito. As ações são espontâneas - de acordo com escala pré-estabelecida - ou atendem solicitações e denúncias, como aconteceu no caso da fiscalização dos carros na feira.
O diretor de Trânsito da CMTU enfatizou que o trabalho dos agentes é previsto na lei e que as multas são lavradas quando há irregularidades. ''A verdade é que ninguém gosta de ser fiscalizado. Sempre que as ações são intensificadas, há descontentamento'', disse.

Aviso
Indignado com as várias multas que recebeu por infrações que não tem certeza de ter cometido, o microempresário Valdir dos Santos discorda do método de trabalho dos agentes. ''Eles deveriam abordar o motorista e confirmar a infração. Falta um pouco de conversa'', criticou.
O dedetizador Francisco Matos, que dirige durante boa parte do dia por causa do trabalho, também acredita que os motoristas deveriam ser avisados em caso de multa. ''Não é um processo transparente. Um dos meus colegas foi multado por falar ao celular apenas porque dirigia com a mão na orelha. A firma recorreu e conseguiu provar que não tinha nenhuma ligação feita ou recebida por ele naquele horário'', disse.

mockup