Rotina é estressante, mas compensa
Andresa Aparecida dos Reis, de 28 anos, está começando a se habituar a passar todo o expediente de trabalho atendendo a telefonemas que são ou trotes ou tragédias. ''No começo era difícil, eu ficava apreensiva, e achava que todos os casos eram graves. Hoje já sei lidar melhor com isso'', afirma. Acompanhando de perto a rotina dos policiais, ela passou a ter outra visão e admirar o trabalho realizado por eles. ''Hoje eu dou muito mais valor a eles. Acho até que eles fazem muito com pouco.''
Ela avalia que uma de suas maiores dificuldades é saber interpretar corretamente as informações, muitas vezes dadas em um momento de desespero. ''É bastante estressante, mas eu gosto do meu trabalho. Acho muito gratificante quando a viatura consegue chegar até o local e recuperar os bens roubados ou prender os criminosos. Dá aquela sensação de dever cumprido.''
Essa mesma sensação já foi experimentada centenas de vezes pelo sargento Jair Rodrigues, que trabalha na central do 190 há dez anos. Responsável pela supervisão geral do atendimento, ele já presenciou histórias marcantes, como a vez em que, ao encontrar o telefone celular de um criminoso no meio do mato, os policiais que o perseguiam conseguiram prender as pessoas que tinham praticado um assalto em Assaí.
Para Rodrigues, nem sempre é fácil arcar com as consequências de uma decisão. ''Uma vez, haviam duas ocorrências para atender: um marido que estava espancando a mulher e duas pessoas suspeitas paradas em frente a uma casa. Optei por priorizar o caso em vias de fato mas enquanto atendíamos o casal, a residência foi roubada'', lamenta.
Nesses dez anos de trabalho, o sargento notou que aumentaram o número de atendimentos durante os dias que antigamente eram tranquilos. Mas, ainda assim, o trabalho é compensador. ''Minha profissão é atender o povo. É gratificante quando alguém liga agradecendo nossa ação'', declara.(A.I.)





