O excesso de buracos que assola a rua Mauro Ferreira, no Jardim Alpes (Zona Norte), impôs uma rotina diferente ao mecânico Nailton dos Santos Nascimento. Especializado em escapamentos, ele acostumou-se a emprestar equipamentos para troca de pneus aos motoristas desavisados que caem dentro das ''crateras''.
''Pelo menos três vezes por semana atendo alguém pedindo ajuda'', conta. Como não realiza o serviço, ele já deixa um conjunto de ferramentas à disposição. ''Acontece principalmente com quem dirige muito rápido.''
Mesmo conhecendo as condições da rua, o mecânico cortou o pneu e entortou a roda do próprio carro em um dos buracos, assumindo um prejuízo de R$ 670,00. O fato, aliado a um assalto que quase o deixou sem o veículo, o levou a optar por ir ao trabalho de moto.
Morador da mesma rua, o representante comercial João Batista Eugênio já teve que trocar a suspensão do carro por causa do asfalto ruim. ''É uma via de tráfego pesado que já está ruim há anos'', denuncia, lembrando que o bairro inteiro está cheio de ''crateras''. ''De vez em quando fazem remendos, mas a chuva estraga. A prefeitura recapeou as avenidas centrais e esqueceu dos bairros.''
Na Zona Oeste, nem o tráfego intenso de aproximadamente 500 caminhões por dia sensibilizou o poder público para resolver o problema de buracos na avenida Graciano Reis, no bairro Silo 3, que dá acesso ao pool de combustíveis. Proprietário de uma distribuidora que funciona no local, o empresário Antônio Carlos de Andrade revela que já inclui no custo do negócio os reparos no molejo dos caminhões.
''Além do prejuízo, há risco de acidentes'', afirma, lembrando que o problema persiste há mais de dez anos. ''Indústrias da região já chegaram a tapar os buracos por conta própria'', acrescenta.
Dono de uma chácara no bairro, o aposentado Isac Ermenegildo da Silva denuncia que o trecho enfrenta também vazamento de esgoto. ''Quando acontece, fica impossível passar'', conta. Depois de enfrentar os obstáculos do asfalto, Silva se arrisca na estrada rural que leva à propriedade. ''São 600 metros de via mal conservada. Se a gente quiser passar, tem que jogar entulhos nos buracos.''

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