Rotina de medo começa a mudar no João Turquino
Ainda não dá para dizer que os moradores dos jardins João Turquino e Maracanã, na Zona Oeste de Londrina, estão livres das ameaças dos marginais, mas a realidade é outra desde o início deste ano, quando as polícias Civil e Militar passaram a agir com maior frequência na região. É fácil perceber as mudanças conversando com a comunidade.
No João Turquino, a rotina de medo começou a mudar em março deste ano, quando a Polícia Civil conseguiu prender José Fernandes Pessoa, conhecido como ''Ema'', acusado de liderar um grupo que ameaçava e expulsava moradores da região e que está detido junto com outros acusados ligados à ele na Casa de Custódia de Londrina (CCL). Sobre isso, os moradores preferem manter o anonimato, até porque a tranquilidade atual ainda não é suficiente para apagar as imagens tristes na cabeça daqueles que viveram oprimidos pelas ameaças. Mesmo assim, eles confirmam que a situação do bairro melhorou porque alguns bandidos foram presos.
Mais tranquila, a comunidade se reorganizou para exigir melhorias. A associação de moradores dos dois bairros, que estava praticamente inativa, já tem um novo presidente: Aparecido Alves Júnior. Ele elogiou a intensificação das rondas policiais no bairro nos dias de semana mas pediu que elas fossem mais frequuentes nos finais de semana, quando o fluxo de pessoas é maior.
Alves Júnior reclamou da demora da Prefeitura em iniciar as obras prometidas para os dois bairros, principalmente o asfalto e o posto de saúde. Mesmo comentário fez o morador mais antigo do João Turquino, Vanderlei dos Santos Dávila, ''o primeiro a descarregar o caminhão de mudanças no bairro, em outubro de 1996''. Dávila elogiou que, agora, a comunidade tem frequentado em maior número as reuniões quinzenais da associação.
A afirmativa dos moradores de que as pessoas não estão mais deixando o bairro e que muitos estão voltando foi confirmada pela diretora da Escola Municipal Noemia Malanga, Luzia dos Santos Catarino. ''Nos sete anos em que trabalho aqui, este é o melhor ano'', comemorou. Com a escola mais organizada e equipada, a procura por matrículas para o ano que vem aumentou e a evasão diminuiu: dos 515 alunos que começaram o ano letivo, 505 ainda permanecem estudando, realidade bem diferente de anos anteriores. ''Esse é o momento do poder público olhar mais para o bairro'', comentou. A escola vai comemorar sete anos de atividade amanhã, com a celebração de uma missa.





