Em Tamarana (Norte), onde localizam-se vários assentamentos de trabalhadores rurais, a rotina de enfrentar pelo menos quatro horas de viagens em acidentadas estradas de terra faz parte da vida de grande parte dos estudantes das escolas da Zona Urbana. Diariamente, no município, 16 linhas de ônibus transportam alunos nos períodos da manhã e da noite.
Moradora do assentamento Novo Mundo, Elaine Taís de Lima Silveira, 13 anos, viaja por duas horas, toda manhã, e na volta para casa enfrenta a mesma maratona. ''Se chove, não tem como ir. Cheguei a faltar três semanas. Pego o caderno de uma amiga para não perder conteúdo'', contou ela, que tenta se concentrar nos estudos apesar do cansaço. ''É bem difícil'', resignou-se.
A jornada de Ynaê Cristina Almeida de Souza, 15 anos, inclui uma viagem por 40 km de estrada de terra que a obriga a sair de casa antes das seis e retornar muito tempo depois da hora do almoço. ''Se chove, ando sete quilômetros a pé, porque o ônibus não chega. Espero que seja recompensada no futuro por tanto esforço.''
Amanda Batinga, 13, sente-se frustrada quando, nos dias de chuva, anda quatro quilômetros para pegar o ônibus e perde o transporte. ''Já reprovei de ano uma vez por causa das faltas'', lamentou a menina, que tem de sair às 5 horas da manhã quando chove. ''É bem cansativo. A gente se esforça e ainda corre o risco de perder o ano.''(C.A.)

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