Cruzamento da JK com a Higienópolis: muitas entradas e saídas e objetivo inócuo
Cruzamento da JK com a Higienópolis: muitas entradas e saídas e objetivo inócuo | Foto: Gustavo Carneiro

As rotatórias, também conhecidas como redondo, rótula, giradouro ou balão, são dispositivos importantes para a organização do trânsito em uma cidade. Elas constituem um recurso de engenharia cujo objetivo é evitar o encontro de fluxos que se cruzariam e, em tese, dispensariam a instalação de semáforos, dando maior fluidez ao trânsito. No entanto, algumas delas já não atendem a demanda e o tráfego nesses locais fica complicado em determinados horários do dia. Isso faz com que a instalação de semáforos seja necessária para disciplinar o trânsito até que seja encontrada uma outra solução.

São exemplos os cruzamentos das avenidas Juscelino Kubitschek e Higienópolis e Rio Branco e Leste-Oeste. Esses pontos já deveriam ter uma transposição, seja na forma de viadutos ou trincheiras, para poder dar vazão ao fluxo de veículos. O Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina) chegou a realizar um estudo de implantação de um viaduto na Higienópolis com a JK em 1999, mas o projeto nunca saiu do papel.

Segundo a diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul, Denise Ziober, a importância da rotatória é transpor cruzamentos sem necessitar da parada dos veículos. "A rotatória faz esse entrelaçamento de vias, mas a partir de certo porte é preciso inserir outro dispositivo. O plano de mobilidade urbana deve rever vários desses dispositivos, cujo fluxo superou a capacidade deles. A rotatória da avenida Juscelino Kubitschek com a Higienópolis é um exemplo. Aquele cruzamento tem muitas saídas e muitas entradas em um raio muito pequeno. Para contornar a situação colocaram semáforos, mas o objetivo da rotatória, que era de dar maior fluidez ao trânsito, ficou inócuo. Outros cruzamentos como a da avenida Rio Branco com a Leste Oeste também passam por isso", destacou.

Segundo ela, a rotatória é uma forma de reduzir a velocidade, já que todos circulam no mesmo sentido. "Ela permite que o motorista observe quem está vindo e, mesmo sem parar, possa reduzir a velocidade para quem quer entrar na rotatória. Em Londrina todos param na rotatória e isso para mim é estranho, pois venho de São Paulo e lá o comportamento é diferente."

PROBLEMÁTICAS

O cruzamento das avenidas Maringá e Castelo Branco passou por readequação para permitir que os usuários da faixa da direita pudessem entrar direto na rotatória de maneira mais fácil, sem a necessidade de parar, mas a modificação foi ineficiente. Quando alguém tenta fazer isso é repreendido com um buzinaço. O frentista Gelson Batista, afirma ser grande o número de colisões no local e atribuiu a problemas de sinalização. A contadora Caroline de Deus Ribeiro dos Santos destacou que a readequação da rotatória realizada pouco tempo atrás não foi suficiente para melhorar o fluxo na região. "Para atravessar ali você tem que esperar alguns minutos. Além disso, dá medo de um carro parar e outro não", afirmou. "Deveriam sinalizar melhor. Eu acho que muitos motoristas não sabem que não precisam parar para entrar na rotatória", destacou o empresário Marco Aurélio da Silveira.

Rotatória na avenida Winston Churchill: buzinaço no horário de pico
Rotatória na avenida Winston Churchill: buzinaço no horário de pico | Foto: Gustavo Carneiro

Outra rotatória problemática é a que fica na avenida Winston Churchill, em frente ao Terminal Ouro Verde, na zona norte. O motorista de caminhão aposentado, Nelson Antônio das Neves afirmou que o fluxo de carros e de ônibus é muito grande e há, problemas, inclusive, para os coletivos saírem do terminal. "Aqui tem briga o tempo todo. Fica todo mundo buzinando." "Os carros não dão passagem. Essa rotatória está terrível. Deveriam instalar um semáforo aqui. No horário de pico aqui fica um buzinaço terrível", destacou o cobrador Anísio Beltrame.

"O que espanta é o volume de pedidos para colocação de sinalização, semáforos, lombadas, faixas elevadas e rotatórias aqui em Londrina. Como se o problema fosse a falta de sinalização e não é. É a imprudência e a falta de cumprimento das regras que determina isso. A gente se assusta com volume de acidentes, que ocorrem não em um ponto específico, mas em qualquer lugar da cidade", declarou Ziober.

DA DÉCADA DE 1950

O ex-diretor do Ippul Hirak Ohara destacou que uma das primeiras rotatórias de Londrina foi implantada na década de 1950, no jardim Santos Dumont (zona leste), na confluência das avenidas Salgado Filho e Comandante João Ribeiro de Barros, ruas Capitão João Busse, Augusto Se

vero e Enzo Rufino.

A maior expansão desse tipo de adequação viária em Londrina ocorreu a partir da década de 1960. O engenheiro Theophilo Paranaense Coutinho Gomes foi responsável pela construção de várias rotatórias de Londrina. Ele ingressou na prefeitura de Londrina em 1964 e foi diretor de Planejamento e Urbanismo. Entre as obras idealizadas pela sua equipe está a da Maringá com a Castelo Branco. "Logo que realizamos o projeto, houve uma orientação para que ela não fosse executada. Deixamos assim por um tempo, mas quando mudou a gestão acabamos implantando", contou.

Outra rotatória projetada por ele e pela equipe foi a das avenidas Rio Branco e Leste-Oeste. "Ali precisa de semáforo hoje, mas se fosse executada de acordo com o projeto original não seria necessário. Originalmente era para ter um diâmetro bem maior. Foram feitas várias desapropriações para implantar aquela rotatória", relembrou. "O terreno que não era da estrada de ferro pertencia a moradores da região", destacou. Ele defendeu a solução técnica da rotatória como a mais adequada, porque ele garante que os motoristas respeitam mais esse dispositivo do que o semáforo.

Ele se recorda que o prazo para finalizar o projeto da rotatória da avenida Saul Elkind (zona norte) era bastante exíguo, já que a prefeitura queria enviá-lo ao BNH (Banco Nacional da Habitação). "Me recordo que perguntaram se daria tempo de concluir o projeto e respondi que se tivesse uma equipe completa, com arquitetos e engenheiros, conseguiríamos entregar no prazo. O Hirak Ohara, Nelson Brandão e o Hely Bretas Barros, que já faleceu, fizeram parte da equipe e entregamos no prazo", apontou. "Na rotatória o motorista espera o outro passar. Fizemos o projeto seguindo as normas americanas e inglesas. Acho que ainda hoje a rotatória continua sendo uma boa solução", destacou Gomes.

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