Os mapas constantes em guias telefônicos e na internet não deixam dúvida: o melhor acesso ao Hospital Universitário (HU) de Londrina, no sentido centro-leste, é a rotatória da Avenida Alziro Zarur, que desemboca na Avenida Robert Kock. Quem seguir a indicação, no entanto, vai se deparar com uma desagradável surpresa: a rotatória, na verdade, não existe.
Reivindicação antiga de moradores do Conjunto Vitória Régia e dos residenciais Aeroporto I e II (todos na zona leste), a obra nunca foi concretizada, embora esteja representada nos guias da cidade e até mesmo nos mapas da Secretaria Municipal de Obras. ''De fato, a rotatória é só um planejamento, que não vingou'', admite o secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas. As obras frustradas não param por aí. A duplicação da Alziro Zarur, que aparece completa nos mapas, só existe em um pequeno trecho da via. De acordo com o diretor de loteamentos da secretaria, Ossamu Kaminaga Kura, a prefeitura não distribui mapas oficiais para constar em guias, e por isso os equívocos acabaram sendo reproduzidos.
O presidente da associação de moradores do Conjunto Vitória Régia, Luiz Carlos de Assis Cardoso, coleciona ofícios enviados, desde 1996, à secretaria de Obras e ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). ''Passou (Luiz Eduardo) Cheida, passou (Antonio) Belinati, agora estamos com o Nedson (Micheleti), e o projeto continua no papel. Não é uma obra difícil, falta é empenho político'', protesta. O objetivo da duplicação da avenida e da construção de uma rotatória, segundo Cardoso, seria facilitar o acesso do grande número de veículos que trafega na região, principalmente com destino ao HU. ''São inúmeros médicos, pacientes, professores e alunos que vão ao hospital todos os dias. Eles são obrigados a dar a volta, o que atrasa inclusive o acesso de ambulâncias'', observa o presidente. Três mil pessoas transitam diariamente pelo HU, segundo a assessoria de imprensa do hospital.
Entre os documentos mostrados por Cardoso, há um ofício datado de 2000 e assinado pelo então diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho. Nele, o diretor pleiteia as obras junto à prefeitura, justificando que ''o sistema viário apresenta-se inadequado à demanda existente''. Para a construção da rotatória, seria necessário desapropriar uma parte do terreno do hospital. O atual diretor-superintendente do HU, Francisco Eugênio de Souza, declarou à reportagem da Folha que precisava se inteirar melhor do projeto antes de se posicionar. ''Mas o que a prefeitura tiver que fazer de benefício para a cidade, não somos nós que vamos impedir'', ponderou.
O diretor de loteamentos da secretaria de Obras aponta dois empecilhos para a realização das obras. O primeiro seria a necessidade de municipalizar parte de uma chácara particular para duplicar a Avenida Alziro Zarur. Kura afirma que a negociação com o proprietário da área avançou desde os primeiros contatos, há alguns anos, mas não sabe precisar quando foi a última vez que a secretaria discutiu o assunto. A dona de casa Manuela Santos, moradora dessa avenida, diz que está cansada de ouvir o que chama de ''ladainha'' sobre a desapropriação da chácara, e sugere que seja feita apenas uma abertura no terreno do HU, para a continuação da avenida. ''Vai fazer quatro anos que moro aqui e o movimento triplicou. Vamos deixar esse lenga-lenga de lado e dar um jeito logo nessa situação'', apressa.
O segundo empecilho apontado pelo diretor é a questão da dotação orçamentária. Não há previsão de quanto custariam as obras. ''Mas sem dúvida seria uma obra importante. A demanda naquela região é fantástica, há vários loteamentos se desenvolvendo'', comenta. Ele informou que as negociações para dar início às obras poderão ser retomadas ainda neste ano.

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