Rotary promove campanha contra pólio
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segunda-feira, 05 de outubro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Representantes do Rotary Club Londrina Norte e o governador do Distrito 4710, Adelino Felipe de Azevedo, fizeram ontem uma visita oficial ao gabinete da reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Berenice Jordão, com o intuito de lançar a campanha da vacinação contra a poliomielite 2016. Os rotarianos homenagearam a universidade entregando uma placa à reitora por ter concedido, em 1982, o título de doutor honoris causa a Albert Sabin, que desenvolveu a vacina oral contra a doença. Ela substituiu a vacina de Salk, utilizada anteriormente, que era preparada com o vírus morto, que combatia a doença, mas não prevenia a infecção no estágio inicial.
De acordo com o presidente do Rotary Londrina Norte, Sandro Nóbrega, pouca gente sabe que Sabin esteve em Londrina para receber a homenagem da universidade. "Precisamos dar o devido valor a isso. Quando ele veio buscar esse título concedeu algumas entrevistas e reclamou da falta de investimento do governo federal em relação à cobertura vacinal, que na época era feita até os 2 anos, mas Sabin cobrou que o governo deveria vacinar até os 5 anos", relembrou Nóbrega.
Na época o presidente era o general João Baptista Figueiredo. No dia seguinte à declaração de Sabin, o governo assumiu a falha e a campanha subsequente já contemplou crianças de até 5 anos. "Não localizamos essa entrevista porque foi um período de censura, mas foi um evento muito importante, que teve repercussão nacional. Pessoas da nossa geração tiveram pelo menos um colega de escola com paralisia infantil. Hoje você não vê tanto e isso é resultado de um gesto da universidade", destacou.
Na comitiva rotariana que foi ao gabinete na tarde de ontem estava Gérson Gonçalves, agropecuarista que conheceu Sabin pessoalmente. "Em uma convenção do Rotary Internacional realizada em Kansas City, em 1985, Sabin recebeu o prêmio mundial oferecido pelo Rotary dedicado à personalidade que trabalha pela compreensão mundial. Como ele tinha uma mulher brasileira, o presidente do Rotary Internacional na época, o médico mexicano Carlos Canseco, me solicitou que eu fosse o cicerone do casal. Durante quatro dias tivemos um relacionamento interessante. Ele era uma pessoa muito dócil e comunicativa", relembrou.
Gonçalves relembrou o discurso proferido por Sabin na ocasião, que relatou ter uma ajuda extraordinária da Rússia. "Em plena Guerra Fria começou uma aproximação com um colega chamado Mikhail Chumarkov. Eles começaram uma vacinação em Cuba, que foi fácil de ser executada porque lá tudo era dirigido. Depois começaram a vacinar no Brasil, mas foi mais difícil pela dimensão do País e pela falta de estrutura", contou.
A reitora Berenice Jordão destacou que a universidade "restabelece seu compromisso com a erradicação da poliomielite e todas as doenças virais contra as quais Sabin lutou durante toda a sua vida". "Vamos divulgar a campanha e solicitar o empenho direto dos profissionais da área da saúde para que haja uma ampliação do número de crianças imunizadas em Londrina. É uma luta de alta relevância", apontou.
Segundo a reitora, quando Sabin foi à UEL a cerimônia se deu em uma reunião do Conselho Universitário realizada no dia 11 de novembro de 1982. "Mantemos um registro dessa vinda dele em uma placa que existe no anfiteatro do CCB (Centro de Ciências Biológicas) e também temos uma fotografia dessa visita que mantemos na sala dos conselhos até hoje", apontou.
O governador do Distrito 4710, Adelino Felipe de Azevedo, afirmou com preocupação que na última campanha de vacinação realizada no Brasil apenas 67% das crianças foram imunizadas, e o objetivo é que esse índice atinja 95%. "Uma vez erradicada vamos investir no combate de outras doenças, como a dengue e o ebola. O Rotary vai para 31 anos combatendo a poliomielite. Não podemos deixar cair por terra esse trabalho", alertou.


