Roseany Kelly Barbatto contou à Folha que em maio de 1993 viu anúncio da AKM em jornal local que oferecia emprego na empresa Sharp, no Japão. Foi até a sede da empresa para conversar com Rosa Maria, que lhe confirmou o emprego. Para ir ao Japão, Roseany pagou US$ 4 mil e ainda recebeu, em Maringá, um crachá da Sharp. Antes de embarcar, Rosa Maria Akemi Kawagushi lhe disse que não havia mais vagas disponíveis na Sharp e que ela iria trabalhar na empresa Chubuseiko, na cidade de Shiogiri. Seu trabalho seria vistoriar lentes para computadores, com remuneração de 800 ienes por hora, mais horas extras.
Em agosto de 1993, após dois dias de trabalho, ela constatou que a Chubuseiko era apenas uma ‘‘empreiteira’’ sem registro oficial. Seu passaporte ficou com a Chubuseiko, que a mandou carregar caixas de computadores de 50 quilos em outra empresa, a Nishimura, onde ela ficou dois meses. Apavorada com o tipo de recepção que teve, ela ligou para os pais em Maringá, que foram reclamar com Rosa Maria, na AKM. Lá, segundo Antônio e Cátia Barbatto, pais de Roseany, Rosa disse-lhes que ela deveria ficar satisfeita por ainda estar trabalhando e, de forma agressiva, afirmou que ‘‘quem fosse contra ela (Rosa) só teria a perder’’.
Depois que a Nishimura demitiu Roseany e todos os brasileiros que trabalhavam lá, a Chubuseiko enviou a maringaense para uma fábrica de alimentos na cidade de Hamamatsu, onde ela teria que limpar lagostas. ‘‘O lugar era porco, cheirava mal, o apartamento onde eu fiquei, sem energia elétrica e com diária de 80 mil ienes, era frequentado por gente da máfia japonesa. A minha salvação foi meu primo Paulo Watanabe, que trabalhava há seis anos no Japão. Liguei pra ele, e acabei arrumando emprego em um restaurante brasileiro na cidade de Mito’’, lembrou Roseany.
Para retirar seu passaporte na Chubuseiko, Roseany teve que pagar mais 280 mil ienes. O juiz Yendo, na instrução do processo, disse que a AKM não pode contratar mão-de-obra para trabalhar no exterior. A razão social da empresa limita seu trabalho a agenciar viagens de turismo. Antes de dar entrada na ação indenizatória, Roseany registrou queixa na 9ª Subdivisão Policial de Maringá, onde outra ex-dekassegui, Mary Elizabeth Miaguti, há havia feito queixa contra a AKM pelo mesmo motivo. (M.W.V)

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