Rosas lembram vítimas da Aids
Vítimas da Aids que morreram a partir de 1984 na região de Cascavel foram lembradas no início da noite de ontem, no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, com 73 rosas, exatamente o número de mortes, depositadas ao pé da cruz de concreto existente na praça da Catedral Arquidiocesana. As rosas, vermelhas, foram espalhadas por crianças.
A programação foi liderada pela Comissão Municipal de Prevenção à Aids e secretarias municipal e estadual de Saúde. Ontem, houve distribuição de panfletos com orientações sobre a prevenção à Aids. No auditório da prefeitura, foram realizadas palestras.
Os 73 óbitos causados pela Aids foram registrados em 23 municípios da área de atuação da 10ª Regional de Saúde do Estado. O número é o oficial utilizado para divulgação ontem, mas a Folha apurou que há pelo menos um caso a mais. A estatística oficial indica um total de 149 doentes - 125 apenas em Cascavel, dos quais 57 do sexo feminino, e cinco crianças com idade até 13 anos.
A enfermeira Elfrida Andreazza, do setor de epidemiologia da Regional de Saúde, observa que a proporção entre sexos, na região, é a mesma do restante do País. Além disto, Elfrida chama atenção para o fato de que os casos em heterossexuais eram 6,9% no início da década, e agora são 30,7%.
Em uma das barracas montadas ontem na praça da Catedral de Cascavel, entre as pessoas que ouviam orientações, estava o cearense João Altivino, 30 anos, vendedor de redes. Ele perguntou se estavam sendo distribuídos preservativos (camisinhas). Uma mulher, envolvida na programação, disse que sim, mas apenas para quem soubesse demonstrar, em simulação, como evitar contágio pela Aids.
Em uma reprodução de órgão sexual masculino (de plástico) disponível no local, Altivino mostrou como o preservativo deve ser colocado.Edson MazzettoCrianças colocam 73 rosas na cruz de concreto da Catedral de CascavelPaulo Pegoraro





