Mário CesarE agora?Lopes da Silva mostra as rachaduras provocadas em sua casa: ‘Para onde eu vou com a minha família?A burocracia pode deixar o motorista Lopes da Silva, 42 anos, e sua família na rua. Ele mora na rua João Lacordaire de Oliveira, no Cafezal 4 (zona sul de Londrina), mas sua casa está condenada. Na madrugada de ontem, uma tubulação da Sanepar estourou e o volume e infiltração de água provocaram rachaduras enormes em toda a casa. ‘‘O Corpo de Bombeiros esteve aqui e disse para eu não deixar ninguém dentro de casa. Explicaram que se a casa desabar e alguém se ferir a responsabilidade é minha. Mas para onde eu vou com a minha família? questiona.
A casa foi construída pela Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina e tem seguro em caso de acidentes causados na estrutura por agentes externos. Como os estragos foram provocados pelo rompimento da tubulação da Sanepar, o motorista tem também direito a ressarcimento do prejuízo. O problema é que para ter acesso a seus direitos Silva precisa entrar com processos junto às duas empresas, que podem demorar mais de um mês para serem concluídos.
O gerente regional da Sanepar, Paulo Kishima, orientou o motorista a entrar o mais rápido possível com um pedido de ressarcimento junto à empresa. ‘‘Como a casa está condenada, a Sanepar paga o aluguel de um imóvel até que a casa seja reformada’’, afirma. O motorista terá de arcar com o aluguel até que seja feita a vistoria e o processo esteja concluído. Só então a Sanepar poderá reembolsar os valores do aluguel.
‘‘Não tenho dinheiro disponível para pagar um aluguel. E hoje à noite, o que eu faço?, argumenta. A filha do casal, de seis anos, está, provisoriamente, na casa de amigos que moram no mesmo bairro.
A Cohab também não pode oferecer agilidade nem solução para o problema enfrentado pelo motorista e sua família. O arquiteto do departamento técnico da companhia, Álvaro Gotti Júnior, esteve no local ontem de manhã. Explicou a Silva que o seguro cobre apenas a parte original da casa e não oferece nenhum respaldo no caso da família ter de se mudar para não correr riscos de vida.
‘‘Em casos tão graves nós fazemos de tudo para tentar agilizar o processo. Mas a vistoria e reforma tem de ser feita através da seguradora da Caixa Econômica Federal (CEF), o que demanda sempre um certo tempo.’
O motorista conta que estava dormindo quando, por volta das 4h30 da madrugada, alguns vizinhos o chamaram avisando sobre o vazamento. Os móveis foram retirados da sala onde o desmoronamento é iminente e colocados nos outros cômodos, que também foram seriamente danificados pela infiltração.
Os técnicos da Sanepar precisaram ser acionados em suas casas para atender a ocorrência. Depois de abrir a calçada, os técnicos descobriram que o vazamento foi provocado pelas raízes de uma árvore que fica em frente à casa de Silva. Ao crescerem as raízes romperam a tubulação. A casa vizinha também sofreu danos sérios. Uma das paredes está rachada e arqueada e também ameaça desabar.

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