Romeiro faz a 7ª viagem a Aparecida
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quarta-feira, 06 de janeiro de 1999
Sid Sauer 
De bermuda, chinelo de dedo e carregando um carrinho com roupas e panelas, o caminhoneiro Nestor Volnei Machado, 42 anos, passou ontem por Campo Mourão rumo a Aparecida (SP). É a sétima vez que ele está indo a pé para a cidade paulista desde 1993, quando começou a pagar uma promessa após ele e uma filha saírem com vida de um acidente, em dezembro de 1991, que matou 21 pessoas, inclusive a mulher dele e um filho de 3 anos.
Fiquei quatro horas e meia preso nas ferragens vendo minha filha de 7 anos gritando de dor e minha mulher morta, conta. Machado estava levando uma carga de madeira do Paraguai a Presidente Prudente (SP) quando aconteceu o acidente. Os outros 19 mortos estavam num ônibus que até hoje pode ser visto no posto da Polícia Rodoviária de Ubiratã (96 km a sudoeste de Campo Mourão), onde ocorreu o acidente.
Com a filha Márcia, hoje com 15 anos, ameaçada de ter as pernas amputadas devido ao acidente, Machado prometeu a Nossa Senhora Aparecida que percorreria a pé as cidades onde passou como caminhoneiro e que faria uma gruta com a imagem da santa nas principais cidades. Até agora já instalei 12 imagens, conta. As últimas duas serão colocadas em Campo Mourão e Maringá. São duas cidades que me ajudaram muito a cumprir a promessa, explica.
Machado mora em Caxias do Sul (RS) e diz que já completou 32 mil quilômetros desde que começou a cumprir a promessa. Em Aparecida, ele consegue a maioria das imagens, geralmente doadas, e volta para instalá-las em grutas. Duas imagens foram dadas pelo apresentador Wagner Montes, conta. Uma terceira foi doada por um fiel de Campo Mourão. Ele caminha cerca de 40 quilômetros por dia e espera encerrar a peregrinação em 60 dias.
Depois vou descansar um pouco e ver se volto a trabalhar com caminhão, conta. É a profissão que eu adoro. O caminhoneiro admite, porém, que ser caminhoneiro não será mais a mesma coisa e que pensa em substituir a carreta por um caminhão menor. Foi um acidente muito feio. Ele afirma que ainda continua empregado na mesma empresa e que todo dinheiro que recebe - cerca de R$ 630,00 - fica com a mãe dele, que cuida da filha em Caxias do Sul.
Desde que começou a pagar a promessa, Machado já usou quatro carrinhos. Um deles tinha até um aparelho de radioamador. Outro foi roubado quando ele passava por Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão). O carrinho atual estava sendo arrumado ontem, para que o pagador de promessa possa esticar as pernas na hora de dormir.


