Uma romaria realizada no último domingo na Represa dos Alagados, que abastece boa parte do município de Ponta Grossa, pode acabar sendo considerada crime ambiental. A romaria foi organizada pelo Iate Clube da cidade, que comemorava seus 50 anos. Dezenas de barcos participaram da procissão, que levou a imagem de Nossa Senhora Aparecida por toda a extensão da represa.
Ao tomar conhecimento do evento, o Ministério Público considerou o fato um desrespeito às leis ambientais. Isso porque, existe um decreto estadual de 1974, que proíbe o uso de embarcações a motor em áreas de manancial doméstico, como é o caso dos Alagados. Segundo o assessor jurídico da promotoria, Carlos Fabiano Goulart, essa proibição está baseada no fato de que as embarcações acabam deixando óleo diesel na água, poluindo a represa.
O promotor de Defesa do Meio Ambiente, Guilherme de Albuquerque Maranhão Sobrinho, pediu ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), uma vistoria no local, para levantar os danos ambientais causados pela procissão. Essa vistoria deve ser realizada hoje. O MP também pede que sejam feitas coletas de água para análise em laboratório. O objetivo é verificar se realmente houve vazamento de óleo e a consequente poluição das águas. De posse desses relatórios, o Ministério Público pode denunciar os responsáveis pela romaria por crime ambiental.
O coordenador de Esportes Terrestres e Aquáticos do Iate Clube, André Mulaski, disse que a entidade vai se manifestar provavelmente só na próxima semana, depois da reunião geral da diretoria. O presidente da entidade, Renato Nápoli, foi procurado pela reportagem mas não retornou aos recados deixados com sua secretária.
Além do problema do uso de embarcações a motor na represa, existe um processo tramitando na Justiça por causa das mais de 70 construções à margem dos Alagados. A promotoria já moveu 35 ações civis públicas contra os proprietários, pedindo a demolição das casas e nos próximos dias o Ministério Público deve acionar judicialmente os demais proprietários.
Segundo Goulart, a Justiça aguarda a realização de perícia no local para dar continuidade às ações. É a perícia quem vai dizer a quantos metros as casas estão da represa e consequentemente enquadrá-las nas determinações legais. O impasse para realização da perícia era financeiro.

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