Curitiba - A Comissão Pastoral da Terra do Paraná (CPT) aproveita a 23 Romaria da Terra, que acontece hoje, para denunciar a impunidade ''em crimes contra o povo da terra''. O evento será em Querência do Norte (113 km de Paranavaí). ''Há inúmeros casos de agricultores e trabalhadores sem-terra que foram mortos e ninguém foi preso, ninguém foi julgado'', denuncia Dom Ladislau Biernaski, representante episcopal da Comissão.
Segundo Biernaski, os crimes contra trabalhadores do campo têm o objetivo de intimidar a atuação dos movimentos sociais. ''É uma forma deles fazerem as pessoas ficarem com medo de participar do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra)'', diz. Um levantamento da CPT mostra que em 2007 aconteceram 1.188 casos de agressão contra famílias que teriam sido realizados por grupos armados no Paraná. Segunda a entidade, o Estado fica atrás apenas do Pará em número de famílias vítimas.
A romaria de hoje deve reunir, segundo a CPT, mais de 15 mil pessoas. Biernaski diz que agora o desafio dos assentamentos é se unir. ''Em associação esses produtores conseguem melhores condições de comercialização de seus produtos'', explica.
Segundo a CPT, a reforma agrária está em ritmo abaixo do esperado no Brasil. ''Em 2007 foram apenas 899 assentados no Paraná contra uma meta de duas mil famílias'', diz Jelson Oliveira, assessor da Comissão.

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