Romaria é prova de fé e penitência
Romaria é prova de fé e penitência
Ana Clara Garmendia
Mauro Frasson
Fátima com a filha vestida de anjo: todos os anos, cumprindo a promessa pela saúde da meninaHá quatro anos, Maria de Fátima Pereira Gomes sai de sua casa na localidade de Cachimba, perto de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, para seguir a romaria de Nossa Senhora de Guadalupe, que acontece anualmente em maio. Na última sexta-feira, durante a romaria, Maria de Fátima cumpriu mais uma vez a promessa que havia feito quando a filha era ainda muito pequena: carregou nos braços a menina, vestida de anjo, em agradecimento por a santa tê-la curado de várias enfermidades. O gesto se repetirá até a menina completar sete anos.
Como Maria de Fátima, outros 100 mil fiéis passaram pela capela dedicada a Nossa Senhora de Guadalupe dentro da Rádio Colombo, no Centro de Curitiba, durante a tradicional romaria que começa às quatro horas da manhã. Gente como a devota Josina Rita Bezerra, que vem de Colombo e que já está agradecendo por uma graça que ainda não alcançou por completo. Descalça, ela pede a cura para problemas de vista que nem várias cirurgias conseguiram resolver até agora. Venho pedir para mim a volta completa da visão. Já melhorei muito, mas ainda tenho a vista embaçada, diz.
Mauro Frasson
Este ano, romaria atraiu 100 mil devotosA devoção à padroeira da América Latina começou há mais de 600 anos, quando um índio mexicano encontrou a imagem da santa e passou a ter visões paranormais. Em Curitiba, a romaria foi instituída há 30 anos, quando o dono da Rádio Colombo, Erwin Bonkowski, apresentava o programa religioso A Hora do Angelus. As pessoas costumavam vir acompanhar os programas. Depois o monsenhor Bernardo José trouxe de Roma a imagem da santa consagrada pelo Papa João XXIII e construímos a capela. O número de fiéis aumentou e tivemos que organizar filas e definir a última sexta-feira de maio como o dia da romaria, explica.
Este ano, a procissão aconteceu antes da hora, para driblar o frio que costuma incomodar os milhares de fiéis que pacientemente passam horas em uma fila interminável. A cada ano, as cenas se repetem. Lágrimas, comoção, flores e muita, muita fé. Graças alcançadas como a cura da epilepsia e de fortes dores de cabeça levam às lágrimas Iliede Soares de Melo Amorim, que participa há quatro anos da romaria. Agora ela reza pela cura da mãe, desenganada há um ano. O choro é de sofrimento - por ver a mãe sem falar numa cadeira de rodas - e de gratidão, pois ela tem certeza que no ano que vem virá agradecer a cura.





