Curitiba

Kraw PenasDom Ladislau (esq.): romaria acontece domingo no assentamento Pinhal Ralo‘‘Libertar a terra, promover a vida’’ é o lema central da 12ª Romaria da Terra do Paraná, que acontecerá neste domingo, a partir das 9 horas. A romaria deste ano, promovida pela Comissão Pastoral da Terra do Paraná (CPT/PR) será no assentamento Ireno Alves do Santos, novo nome do assentamento Pinhal Ralo, área ocupada da Fazenda Giacomet-Marodin, no município de Rio Bonito do Iguaçu (400 quilômetros de Curitiba). Os organizadores da romaria esperam reunir cerca de 30 mil pessoas. Cerca de 50 ônibus deverão sair de Curitiba para participar da romaria.
Para dom Ladislau Bienarski, bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba e vice-presidente nacional da CPT, ‘‘essa celebração religiosa reflete na vida das pessoas e tem repercussão política’’. ‘‘O momento pede muitas reflexões, mas enquanto tivermos sem-terras no País, continuarão acontecendo invasões de terras. Para onde irão essas famílias? Para as cidades, aumentar ainda mais os problemas de miséria da população’’, diz dom Ladislau Bienarski. Segundo dados da CPT existem cerca de quatro milhões de famílias sem-terra no País.
O advogado da CPT do Paraná, Darci Frigo, quer o governo mude seu discurso de ‘‘só falar em produtividade da terra’’. ‘‘Nos já saímos desse discurso. A terra tem função social e o governo tem que se preocupar com isso. As propriedades rurais precisam também respeitar o meio-ambiente. E os latifúndios ferem o meio-ambiente e a própria Constituição’’, afirma.
Sobre a romaria na Giacomet-Marodin, Frigo diz que ‘‘ela foi pedida pelos próprios assentados para mostrar o que fizeram até o momento naquela área’’. A área foi invadida em 17 de abril do ano passado, dia do massacre de trabalhadores rurais sem terra em Corumbiara (PA). Estão acampadas na área do assentamento 1.350 famílias. Somente 950 ficarão assentadas no local, conforme acordo firmado com o Incra.
Além da celebração ecumênica, a romaria terá dois outros atos, com encenações, cantos e caminhadas no assentamento. Um bolo de fubá vai marcar simbolicamente a partilha da terra.

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