Romaria da Terra reúne 20 mil no PR
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 1997
Paulo Pegoraro 
Rio Bonito do Iguaçu
Cerca de vinte mil pessoas participaram ontem da 12ª Romaria da Terra do Paraná, no Assentamento Ireno Alves (180 quilômetros a leste de Cascavel), no município de Rio Bonito do Iguaçu. Os romeiros, oriundos de várias regiões, participaram da programação desenvolvida a partir do lema Libertar a Terra, Promover a Vida, comemorando a transformação em assentamento desta que foi a maior ocupação organizada pelo Movimento dos Sem-Terra (MST) em todos os tempos no Brasil.
O assentamento, que tem nome em homenagem a um coordenador estadual do MST, falecido no ano passado, tem origem no acampamento formado em 17 de abril do ano passado, por mais de três mil famílias. Hoje, restam 1,35 mil, das quais o Incra quer selecionar apenas novecentas para instalar em 16,9 mil hectares desapropriados da empresa Araupel (ex-Giacomet-Marodin). As famílias excedentes exigem nova desapropriação, para permanecer no local.
A Romaria foi organizada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), MST e outras entidades de defesa dos sem-terra e outros trabalhadores. O vice-presidente nacional da CPT, Ladislau Bienarski, bispo auxiliar de Curitiba, disse que o exemplo de resistência das famílias do Assentamento Ireno Alves fortalece a luta pela terra, e estimou que o governo só empreenderá a verdadeira reforma agrária e outros programas sociais de abrangência quando também os que nada têm na cidade se mobilizarem em definitivo, formando pressão inexorável.
A Romaria, iniciada com encenações sobre o lema escolhido, prosseguiu com caminhada de 2 quilômetros, e colocação de uma cruz na parte central do assentamento, ao lado da antiga sede da fazenda. A cruz foi feita com pedaços da porteira arrancada pelos sem-terra quando da ocupação. Embora a celebração pela conquista da terra, também foram rememoradas as dificuldades enfrentadas pelas famílias, e a violência ao longo de dezesseis meses - inclusive a morte de dois sem-terra, crimes atribuídos a jagunços, mas ainda sem culpa formalizada.


