Romaria condena disparidade salarial
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quinta-feira, 01 de maio de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoContra a exclusãoD. Lúcio em primeiro plano e romeiros; para a Pastoral Operária, dia foi de luta e não de festa O arcebispo D. Lúcio Baumgaertner, da Arquidiocese de Cascavel, disse ontem que a Igreja vê com angústia a situação dos trabalhadores e sua inserção na sociedade. Segundo ele, há preocupação especial com a disparidade na remuneração dos trabalhadores.
Dom Lúcio participou da 7ª Romaria do Trabalhador, organizada pela Pastoral Operária da Arquidiocese. Cerca de 300 pessoas, a maioria jovens, participaram de atos iniciados no bairro XIV de Novembro e que prosseguiram no Jardim Guarujá, zona norte da cidade. O arcebispo benzeu os romeiros no início da manifestação.
Depois da caminhada até o Guarujá, houve celebração religiosa na Igreja da Paróquia São Francisco de Assis, almoço comunitário e, à tarde, atividades culturais. O tema da romaria foi Com trabalho e liberdade teremos dignidade.
O Dia do Trabalho tem o significado de mostrar a solidariedade entre os trabalhadores e reforçar a luta por justiça e dignidade humana, disse o arcebispo de Cascavel. O sindicalista Valdevino Pereira de Oliveira, da Pastoral Operária, disse que o dia era de luta, não de festa.
Nada há para comemorar, pois a cada dia o sistema exclui mais o trabalhador brasileiro, reclamou Valdevino. Sindicatos e outras entidades dos trabalhadores devem fazer a resistência na defesa de reivindicações e direitos da classe.
No Sudoeste do Estado, a principal manifestação ocorreu em Pato Branco, com o tema Cidade e campo contra o desemprego e a exclusão. A programação envolveu a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, Comissão Pastoral da Terra, Associação Paranaense de Estudantes Secundaristas e igrejas.
Grito da terra As entidades lançaram em Pato Branco o Grito da Terra 97, evento tradicional que será iniciado no dia 12, com um acampamento em Marmeleiro (7 quilômetros a leste de Francisco Beltrão). O Grito da Terra serve para reforçar reivindicações dos trabalhadores rurais. Investir na agricultura familiar é forma simples e barata de combater desemprego, propôs Salete Escher, da CUT-PR.
O Grito da Terra vai reivindicar a criação de um fundo estadual de apoio à agricultura familiar, um programa de geração de emprego e renda para 50 mil famílias até 1998, seguro agrícola para os pequenos agricultores, assistência técnica e criação de lei para agroindústrias, que desburocratize os serviços de inspeção de alimentos.


