Rolândia quer transferir pátio de trens
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quinta-feira, 14 de junho de 2007
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
Pelo menos três vezes por dia Rolândia (25 km a oeste de Londrina) torna-se uma cidade dividida. É a sensação de quem vê o trânsito entre as regiões norte e sul ser interrompido por meia hora cada vez que os trens da América Latina Logística (ALL) precisam fazer manobras em pleno Centro.
''Você fica isolado, e se der algum problema demora mais ainda. Há uns 20 dias, metade da composição se soltou e o trânsito ficou parado por mais de duas horas'', lembrou Miguel Paulim Pinto, proprietário de um posto de combustíveis localizado num dos cruzamentos mais críticos do trecho cortado pela linha férrea.
A reclamação dos rolandenses é antiga e já foi alvo de reuniões entre a prefeitura e a ALL. Sem resultados concretos, a Câmara de Vereadores decidiu agora pedir apoio de deputados, senadores e até do governo do Estado para conseguir verbas destinadas à retirada do pátio de manobras ferroviárias do Centro. Autor de um requerimento referente ao assunto, o vereador José de Paula Martins (DEM) disse que já obteve apoio de 12 deputados e um indicativo de que a Secretaria de Estado de Transportes poderia auxiliar na formatação de um projeto.
''Queremos que nossos representantes estaduais e federais entrem nessa briga. São grandes os transtornos aos moradores que precisam atravessar os trilhos à pé ou com veículos'', ressaltou. Além de acidentes envolvendo pedestres e ciclistas que pulam sobre os vagões, Martins acredita que as interrupções do trânsito podem atrapalhar ações de socorro dos bombeiros ou polícia. ''Pode até ocorrer por uma morte por isso. Quem decide fazer a volta para desviar da linha gasta até 5 km a mais.''
A comerciante Sônia da Silva confessou estar entre os ciclistas que se arriscam a transpor os vagões para evitar a espera. Ela justificou a imprudência com a necessidade de chegar ao emprego sem atraso e defendeu a retirada dos trens do Centro. ''Atrapalha demais. As pessoas dependem desse caminho para trabalhar, estudar. Já vi mulher grávida pular sobre o trem'', contou.
''Não é um problema só dos moradores de Rolândia, mas do pessoal da região e até de outros estados que passa por aqui e acaba tendo tolhido seu direito de ir e vir'', salientou o presidente da União Rolandense das Associações de Moradores, Paulo Sebastião Inêz. Ele afirmou que a ALL executou no município de Mandaguari (noroeste do Estado) um projeto semelhante ao solicitado pelos moradores de Rolândia, que custou cerca de R$ 1 milhão. ''Não é um valor absurdo'', minimizou.
Martins afirmou que a sugestão dos vereadores e munícipes é a transferência do pátio de manobras para o distrito rural de Cebolão, onde já haveria anuência dos moradores. Ele também lembrou que existe um ''plano B'': a construção de um viaduto sobre a linha férrea. ''Seria uma obra mais barata, cerca de R$ 250 mil'', comentou.
Em ofício enviado ao vereador pela Casa Civil do Estado, onde consta resposta da ALL à consulta feita sobre o assunto, a empresa diz que não é de sua alçada a execução de obras de superestrutura, conforme contrato de concessão. Os recursos teriam de ser obtidos junto à União. A ALL também alerta que seriam necessários ''cuidadosos estudos para constatar se há condições operacionais para a transferência (do pátio), tais como condições de rampa e espaço físico''. No entanto, segundo a assessoria de imprensa, a ALL apóia a iniciativa e é favorável à retirada dos trens do centro da cidade.


