O Movimento Nossa Terra – ong fundada há dois anos a partir da luta de agricultores contra o modelo de destinação do lixo adotado pela prefeitura de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) – está buscando recursos para concretizar o projeto de transformar a Fazenda Bimini, há oito quilômetros do centro da cidade, na primeira fazenda-parque do Estado.
Com 86 alqueires, área de mata nativa, arvoredo ornamental, campo experimental de palmito juçaraá (espécie em extinção) e construções de madeira em estilo germânico da década de 40, a propriedade é o quartel-general da ong.
O trabalho na Bimini é acompanhado periodicamente por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Consórcio Intermunicipal de Proteção Ambiental da Bacia do Rio Tibagi (Copati). Suas ações vêm chamando atenção de entidades internacionais de fomento a projetos ecológicos. Sua manutenção, entretanto, ainda depende exclusivamente dos esforços da família Stedle.
O Movimento Nossa Terra é dirigido pelo administrador rural Daniel Steidle, neto de Hans Kirchheim, pioneiro introdutor da cultura conservacionista na região e fundador do Colégio Roland, em 1968, conhecido pela linha pedagógica libertária.
O local tem sido visitado por excursões escolares e está se tornando referência na educação ambiental de campo. Sem perspectivas de ser financiada por brasileiros, a criação da fazenda-parque já está sendo estudada na Alemanha, com o apadrinhamento do consulado alemão em São Paulo e de Maritta Koch-Weser, diretora geral do World Conservation Union – organismo internacional sediado em Genebra – e esposa do vice-ministro das Finanças da Alemanha, Caio Koch-Weser, nascido em Rolândia.
Enquanto persite a luta pelas verbas e a boa vontade da família Stedle não se esgota, a Fazenda Bimini continua abrindo a porteira para as lições práticas de ecologia.
As crianças e adolescentes percorrem trilhas na mata; têm lições práticas sobre a importância da preservação de matas ciliares e da conservação do solo; conhecem os processos de plantio e extração do palmito; apreciam o ciclo das águas; e adentram o casarão histórico, onde ouvem a leitura de contos infantis, cujos protagonistas são animais ou plantas. A narrativa é feita pela própria autora das histórias, Ruth Stedle, 62 anos, mãe de Daniel.
Na fazenda, as crianças são sensibilizadas com a ‘‘humanização’’ da fauna e flora. ‘‘Eles se põem no lugar do bicho, da planta. É a melhor maneira de harmonizar as relações das pessoas com a natureza’’, acredita Daniel. Para os estudantes das escolas rurais, o enfoque das aulas é o combate à caça, prática comum na região. Depois da correria das brincadeiras no gramado, os visitantes fazem um grande círculo, ouvem especialistas, escoteiros e contam o que mais gostaram. Depois é servido o lanche, que inclui frutas do pomar.
Ontem, os ‘‘premiados’’ foram os estudantes do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) e da comunidade rural de Nossa Senhora da Aparecida. Desde segunda-feira, na abertura da Semana do Meio Ambiente, a ong saiu da fazenda e vem realizando palestras em escolas de regiões carentes de Rolândia, divulgando a importância dos catadores de papel para a limpeza pública e orientando alunos, professores e funcionários na destinação adequada do lixo escolar, cujo maior problema é a sobra da merenda. Contra a monotonia, o ambientalista usa o teatro interativo, com textos improvisados, movido à espontaneidade infantil.

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