O primeiro LIRAa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) de 2020 de Rolândia (RML), realizado entre os dias 20 e 23 de janeiro, apontou que o município registrou um aumento de 3,8 pontos percentuais no Índice de Infestação Predial com relação ao levantamento anterior, realizado em outubro. O número chegou a 5,1% e, segundo os parâmetros da OMS (Organização Mundial de Saúde), o limite aceitável é de até 1%. Com esses dados, a cidade chega à situação de alto risco, com bairro atingindo os 23%.

Das 31 regiões, 15 estão em alto risco, sete em médio risco e nove em baixo risco, conforme o LIRAa. Os mais graves são: jardim Los Angeles (23%), jardim Campo Belo (17%), jardim Costa do Sol (14%) e bairro São Fernando (11%). “São regiões onde foram encontrados mais larvas e criadouros do Aedes aegypt. O LIRAa nos dá a real situação do município naquele momento, situação real da proliferação e com essa definição nós direcionamos ações específicas para essas localidades”, explica Rafael Ferreira Dias, diretor de Vigilância em Saúde do município.

A questão levantada por Dias é a falta do inseticida, que deixou de ser distribuído em todo o Brasil desde o fim do ano passado. “Infelizmente, nós temos um entrave muito grande em relação ao inseticida, então, temos que ter cuidado com a ação, para não ocorrer a dispersão do inseto para outras localidades”, explica. Em nove regiões, o índice é de 0%.

Sem o bloqueio químico, o município tem feito parte do processo, promovendo a remoção mecânica e ações conjuntas. Na última sexta-feira (31), a Secretaria de Saúde de Rolândia promoveu a primeira reunião de 2020, do Comitê Intersetorial de Combate à Dengue, para debater as ações e números do combate ao mosquito. No decorrer do período epidemiológico, entre a semana do dia 28 de junho de 2019 e 27 de janeiro de 2020, o município registrou 312 notificações de casos suspeitos de dengue, 33 foram confirmados, um deles foi importado.

A limpeza de terrenos baldios é realizada pela prefeitura, mas ao contrário do que muitos pensam, essa não é a principal causa de surgimento de focos da dengue. “Hoje o pessoal tem uma ideia de que o problema maior está no terreno baldio, em mato alto, mas no último LIRAa foi apontado que o perigo está nos pratinhos de plantas, perto das pessoas, e elas acham que o problema está fora”, relata o diretor.

Vasos e pratinhos de plantas são os principais criadouros do município (41%). “A gente está trabalhando com a população a eliminação desses pratos, nem é para colocar areia mais, tem que eliminar mesmo”, aponta. Em seguida, estão lixo, sucatas e entulhos (23%) e depósitos de água da chuva, como baldes, tambores e cisternas (19%). “A gente sabe que a responsabilidade é do município, mas precisa do apoio da população na questão de não deixar resíduos parados, a céu aberto, que possam acumular água. É difícil o município combater a dengue sozinho. A gente precisa de uma participação mais efetiva da população, principalmente nessa época mais chuvosa.”

SERVIÇO
Denúncias de possíveis criadouros devem ser feitas diretamente na Vigilância em Saúde pelo telefone 3906-1122.

Imagem ilustrativa da imagem Rolândia em risco de epidemia de dengue
| Foto: Lais Taine - Grupo Folha

‘Eu também olho, cuido e pergunto se estão cuidando’

Maria Tereza Canônico, 65, é moradora do jardim Los Angeles, bairro com maior índice de infestação pelo Aedes aegypti de Rolândia. Lá, o índice chegou a 23%, número que amedronta, mas não surpreende a professora aposentada. “Eu acredito, aqui na minha casa apareciam poucos mosquitos, mas de um mês para cá aumentou muito”, revela.

Com jardim florido, Canônico conta que é bastante cuidadosa com o quintal. “Eu troco a água dos cachorros duas vezes por dia, não deixo parada, e meus vasos não têm pratinho, eu tirei todos”, aponta para o jardim. A moradora conta que tem medo da doença, até porque sentiu de perto, há quatro anos o marido foi diagnosticado com dengue e ficou oito dias internado. “Eu morro de medo!”, revela.

E por temer à doença, está sempre em alerta com os vizinhos. “Aqui é tranquilo, os vizinhos são cuidadosos, mas eu também olho, cuido e pergunto se estão cuidando. Eu moro aqui há 43 anos, então eu olho mesmo, tenho que cuidar”, ri. Com o número alto e um bairro pequeno, a professora desconfia que o mosquito possa vir também de outros locais.

No jardim Roland Garden a infestação também está acima dos 1% preconizado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e os 4,17% o coloca entre os bairros em alto risco. José Carlos Sitta, 64, vive lá desde novembro e tem um problema com um terreno que tem obra abandonada. “Já vimos lagarto, a vizinha teve cobra, hoje a minha filha viu um gambá. Se tem animal silvestre, pode ter mosquito da dengue também”, analisa o gerente de banco aposentado.

Com mato alto e restos de construção, o terreno está fechado com uma obra paralisada. A filha Paula Sitta, 36, conta que os vizinhos reclamam do local há muito tempo. “Eles falam que o problema tem mais de 10 anos, o jardineiro que veio aqui uma vez comentou que o dono não mora mais no Brasil”, afirma. José Carlos tem reclamado na prefeitura, assim como outros vizinhos.

O diretor de vigilância em saúde do município, Rafael Ferreira Dias, disse que sabe da situação e que realmente ali há uma questão de abandono e que, por conta disso, a prefeitura vai ter que entrar para a limpeza e cobrar do responsável depois. “Isso está na mão da fiscalização de tributos e nós até encaminhamos para que seja executada a limpeza do local com lançamento disso no IPTU da massa falida. Os procedimentos já foram encaminhados”, afirma.

Para o vizinho ao lado, além de alívio, é questão de segurança. “O nosso quintal a gente sempre cuida, trato tudo direitinho, mas justamente por isso (descuido de outros) existe epidemia, o mosquito vai longe, todo mundo tem que fazer a sua parte”, pede o morador.

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