Rolândia - A Prefeitura de Rolândia (Região Metropolitana de Londrina) realizou algumas obras provisórias para tentar amenizar os problemas que culminaram com a enchente do Jardim Água Verde (Zona Norte) que atingiu pelo menos 50 casas no bairro anteontem. Na noite de domingo, entre 19 horas e 21h30, o prefeito José de Paula Martins (PSD) e alguns dos secretários acompanharam a abertura do reservatório de águas pluviais com uma retroescavadeira para esgotar a água do local e impedir que haja um novo transbordamento desse "piscinão". Ele havia sido criado com o objetivo de conter as águas pluviais entre uma propriedade rural e a PR-323 e o bairro, que foi construído em um nível inferior, com uma diferença de aproximadamente cinco metros em relação à rodovia.
Desde que o bairro foi inaugurado há cinco anos, toda a água oriunda da propriedade rural e da rodovia desemboca nesse reservatório, mas o problema é que existem quatro dutos de entrada, com 60 cm de diâmetro cada, contra apenas um duto de saída, com 40 cm de diâmetro, condição que a prefeitura tentou corrigir com a abertura da vala. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, um dos agravantes do problema é que uma pessoa construiu uma estrada sobre os encanamentos, o que contribuiu para o entupimento deles. A via foi destruída para facilitar a vazão das águas.
Um dos moradores do local, o autônomo José Cristo, de 46 anos, relatou que ainda é cedo para saber se a abertura do reservatório impedirá uma nova enchente. "Será preciso chover para ver o que vai acontecer. Para mim, teriam que abrir esse reservatório de fora a fora para impedir que ele transborde novamente", apontou. Ele destacou que sua casa não foi atingida porque fica a duas quadras das casas que sofreram os piores danos, mas ressaltou que há uma preocupação dos moradores em relação a uma solução definitiva.
Outro morador, o eletricista Francisco Silva Costa, de 34 anos, destacou que essa solução de fazer uma abertura para esgotar a água foi a mesma adotada em 2012, quando aconteceu a outra enchente no bairro.
"Não vai adiantar nada. Eles abriram o reservatório pela lateral e vai acontecer o mesmo que da outra vez: a saída de água vai ficar entupida novamente pela terra e pelas plantas que crescem no local. O buraco tem capacidade para represar muita água. A solução seria fazer uma galeria pluvial de verdade e será preciso que a prefeitura realize a manutenção constante dela, para evitar que ela fique entupida", apontou. Ele destacou que o reservatório promove um outro problema, que é a formação de um ambiente ideal para criadouros de mosquitos Aedes aegypt, vetores da dengue. "Esse buraco fica cheio de água por vários dias e não adianta nada limparmos nossos quintais se ali permanece do mesmo jeito", reclamou.
Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, houve dificuldades de acessar o maquinário, porque as chaves do gabinete do prefeito e do pátio com as máquinas não tinham sido entregues pela administração anterior. Por este motivo a equipe da atual administração pediu equipamentos emprestados da iniciativa privada. A equipe de engenheiros da pasta de Infraestrutura realizou ontem a primeira reunião para determinar uma solução definitiva para o problema do bairro.
Além do Jardim Água Verde, três residências de pessoas de baixa renda na Vila Oliveira foram atingidas pelas águas e a equipe de Assistência Social tem prestado apoio a esses moradores. No Jardim Vale Verde, o muro do cemitério estourou e deverá ser consertado nos próximos dias. O asfalto de uma das avenidas do bairro foi todo destruído pela ação das chuvas. Na Avenida Brasília, houve deslizamento de terra em terrenos particulares e foi preciso utilizar um carro-pipa para remover toda a terra que invadiu a pista. A equipe da prefeitura também retirou uma árvore que estava impedindo a circulação de veículos na estrada que dá acesso ao município de Pitangueiras.

mockup