Kraw PenasAlvares, com a mão queimada no primeiro gol, esperou o jogo acabar para ir ao hospitalO que era para terminar em festa, por causa da vitória do Brasil sobre a Escócia, por 2 x 1, acabou em dor e lágrimas no pronto socorro do Hospital Cajuru, em Curitiba. Por causa da displiscência dos usuários e, às vezes, da má qualidade dos foguetes, a festa de alguns brasileiros sempre termina antes. Ontem não foi diferente.
Sentada em um banco de espera, com o braço enrolado em uma toalha molhada, a comerciante Luzia Souza, 28 anos, tentava não se arrepender de ter soltado aquele rojão, que saiu pela culatra, entrou pela manga da camisa e estourou no braço direito. ‘‘Foi Deus que impediu algo pior’’, disse. Segundo ela, um vizinho iria estourar o foguete, mas ela tomou a frente.
Enquanto Luzia chorava, o comerciante Marcelo Alvares, 25 anos, sorria na entrada do pronto socorro. Apesar de ter queimado a mão direita ainda no primeiro gol do Brasil, aos 4 minutos do primeiro tempo, Alvares assistiu todo o jogo para, depois, procurar ajuda. ‘‘Valeu a pena esperar’’, afirmou. Ao invés de se arrepender ou temer os fogos, o comerciante disse que está pronto para outra. Afinal, ele disse ter investido mais de R$ 2 mil em fogos para comemorar o penta da Seleção Canarinho e não quer deixar os rojões guardados.
Se Alvares viu o jogo com a mão doendo, o estudante Gabriel da Luz Fiorani, 14 anos, nem chegou a ver a partida. Ele saiu de casa de bicicleta, às 12h30, para comprar guaraná, que iria tomar enquanto assistia ao jogo. Mas acabou atropelado por um Monza, próximo de casa, e passou todo o tempo no Hospital Cajuru. Fiorani só foi liberado às 15h30, com a notícia de que o Brasil já tinha três pontos na Copa.

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