A Folha teve acesso a mais trechos inéditos de uma fita que mostra como era a convivência do empresário Joni Rodrigues com oficiais da Polícia Militar do Paraná. Rodrigues tinha mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça de Marília (SP) quando as imagens foram feitas em Curitiba. O vídeo amador é de outubro do ano passado (e não de setembro) e foi feito nas instalações do Regimento de Cavalaria. O empresário é visto participando de uma churrascada reservada em homenagem ao deputado e presidente da Assembléia Legislativa, deputado Aníbal Khury (PFL). O evento também é um ato de agradecimento ao próprio Rodrigues, que doou um trator Tobata para o Regimento.
As novas imagens mostram o dono da Joni Veículos recebendo uma placa de agradecimento pela doação, das mãos do chefe do Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel Justino Henrique de Sampaio Filho, que o chama de ‘‘companheiro’’. Uma cópia do Cadastro de Pessoa Física (CPF) do coronel foi localizada por jornalistas da Folha e da TV Paranaense na terça-feira numa casa alugada onde Rodrigues morou até sua fuga há quinze dias.
Mesmo com um mandado de prisão preventiva que o comando da PM alega desconhecer, a afinidade com os oficiais era tamanha que Joni Rodrigues é chamado na filmagem de ‘‘uma pessoa amiga’’ da corporação. Um coronel que se identifica no discurso como comandante do Regimento de Cavalaria chega a mencionar que o evento só foi realizado graças ao empresário. Tanto Joni como a mulher dele, Rosângela Abusio Rodrigues, tiveram suas prisões preventivas solicitadas pela polícia há duas semanas em Curitiba. Ambos são acusados de estelionato e sonegação fiscal, respondendo a quatro inquéritos policiais.
Rodrigues chegou a escapar de três condenações da Justiça de Marília (SP) por crime de estelionato. As penas acumuladas chegam a cinco anos e seis meses de detenção. A última condenação só tinha validade até o dia 22 de março deste ano e era resultado de uma condenção em 1991. Ele só não cumpriu nenhuma das três penas porque todas prescreveram.
Rodrigues fugiu de Marília em outubro de 1992 e se instalou em Curitiba. Mesmo com mandando de prisão preventiva decretada em São Paulo desde 1996, o empresário sempre se sentiu à vontade para ter um bom relacionamento com o alto comando da PM paranaense e negociar veículos com a tropa, que também saiu prejudicada com financimentos irregulares e chegou a ter carros apreendidos, com suspeita de envolvimento de agentes da P-2 que cumpriam supostas ordens de integrantes do alto comando da corporação.

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