Marcos BorgesCompanheiros de estradaA panfletagem de ontem na BR-369: trabalhadores em transporte são contra decreto federal e novo Código Nacional de TrânsitoO Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Londrina (Sintrol) realizou ontem uma planfletagem na BR-369, na frente da Coca-Cola, em Cambé. O objetivo: mobilizar os trabalhadores em transportes para a greve geral, marcada para sexta-feira. Durante quatro horas, diretores e filiados do Sintrol permaneceram no local, entregando panfletos e jornais.
Segundo o vice-presidente do Sintrol, João Batista da Silva, a paralisação é nacional e envolve os transportes terrestres (rodoviário, metroviários e ferroviário), aéreos e náuticos. Para organizar a greve, foi criado há seis meses o Movimento Unificado dos Trabalhadores em Transporte (Mutt). A data foi escolhida estrategicamente: 25 de julho, dia de São Cristóvão, o padroeiro da categoria.
Uma das principais reivindicações é a manutenção da aposentadoria aos 25 anos de trabalho. Silva explicou que a aposentadoria especial sofreu restrições com o decreto-lei nº 2172, do governo federal. ‘‘Por esse decreto, só podemos aposentar com 25 anos se comprovarmos por laudo médico os fatores insalubres do nosso trabalho.’’
Para Silva, as novas regras praticamente inviabilizam a aposentadoria especial da categoria. ‘‘Qual a empresa que tenha departamento médico que vai fornecer um laudo desses? Se fornecer, terá que incorporar ao salário o percentual de insalubridade.’’
Silva conta que os trabalhadores em transporte conquistaram o direito à aposentadoria especial em 1964. ‘‘Foi considerado o caráter penoso da nossa atividade. Estamos sujeitos a tensões diárias e as consequências vão desde hipertensão e danos à coluna até problemas digestivos e neurológicos.’’ A greve pretende pressionar o governo para anular o decreto.
A greve também é um protesto contra o novo Código Nacional de Trânsito, que começa a vigorar na sexta-feira. Silva explica que o projeto apresentado inicialmente na Câmara dos Deputados dividia a responsabilidade pelos acidentes de trânsito com o empregador. ‘‘Aquele empregador que estivesse exigindo demais do motorista poderia ser também incriminado. Essa parte do texto foi suprimida. Ou seja, a responsabilidade é toda do trabalhador.’’
Outra modificação que a categoria quer no novo Código Nacional de Trânsito é a diferenciação das penas para os trabalhadores em transportes. ‘‘Não podemos ser punidos da mesma forma que os motoristas imprudentes. Estamos trabalhando e não nos envolvendo em diversões perigosas.’’
Para garantir a paralisação, que vai durar todo o dia, serão realizados ‘‘piquetes’’ em diversas rodovias do Estado. ‘‘Vamos tentar parar os transportes intermunicipais e interestaduais de passageiros e todos os transportes de cargas.’’
Silva informou que na sexta-feira o transporte coletivo de Londrina também pode parar. A estratégia ainda será definida pelo Sintrol, mas ele garantiu que não será o dia todo. ‘‘Não queremos prejudicar a população, por isso poderemos parar por apenas uma ou duas horas.’’
Silva explicou também que o movimento é vinculado à greve geral pela Reforma Agrária que está sendo convocada para sexta-feira pelo PT, Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

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