Rodoviária terá grade 'anti-morador' de rua
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quinta-feira, 01 de agosto de 2019
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

A administração da Rodoviária de Londrina contratou uma empresa para instalar um gradil para evitar que moradores em situação de rua durmam nos fundos do terminal, onde hoje ficam o embarque de ônibus metropolitanos e o espaço de espera dos taxistas.
O superintendente do Terminal Rodoviário de Londrina José Garcia Villar, Sandro Roberto Boldieri Neves, afirma que os táxis serão mantidos ali, mas o embarque e desembarque será realizado no piso superior. Ele justifica a providência de implantar a cerca por causa da quantidade de moradores em situação de rua. “Mas não são somente moradores em situação de rua, mas também outros tipos de pessoas, como traficantes, consumidores de drogas e álcool e que acabam produzindo sujeira ou promovendo brigas. A gente percebe um monte de situação desse tipo, que acaba ficando ruim para a imagem de Londrina, porque aqui é a porta de entrada da cidade”, justifica.
Questionado sobre a quantidade de ocorrências, ele disse não ter esses números. “A gente não chega a fazer esse levantamento, mas já tivemos dois óbitos aqui de pessoas em situação de rua. Nós sempre acionamos a Guarda Municipal ou a (secretaria municipal) Assistência Social para tirar essas pessoas daqui e para que elas sejam ajudadas”, destaca. Ele ressalta que em determinados dias são mais de 35 pessoas dormindo sob a marquise do terminal, localizado na zona leste. “Eles acabam utilizando a estrutura do terminal para se proteger”, destaca. Ele declara que o aumento de pessoas em situação de rua gera medo nas pessoas, principalmente à noite. “Nesse horário registramos algumas brigas entre eles”, destaca.
PORTÕES
Neves aponta que os gastos serão de R$ 46 mil para instalar os 57 painéis de gradis, que possuem 2,5 metros de largura por 2,43 metros de altura, além dos três portões. A estrutura ainda receberá concertinas para evitar que as pessoas pulem as grades.
Para o professor de matemática Luiz Felipe Gonçalves Fernandes, usuários do ônibus metropolitanos, a decisão foi equivocada. “Eu entendo a questão de segurança, que o pessoal que pega ônibus pode passar por alguma situação, mas eu pessoalmente nunca passei por isso. Acho uma coisa meio cruel não deixar eles passarem a noite aqui”, ressalta.
O taxista Paulo André de Moraes também não gostou da decisão. “Os taxistas estão sendo muito prejudicados com isso. Algumas corridas do ônibus metropolitano sobravam para a gente e qualquer perda na sua profissão afeta na sua vida”, destaca. Ele aponta que poderiam ser criadas outras alternativas que não a instalação de grades. “Podiam tornar esse espaço em algo útil. Tem uma sala aqui, que poderia ser ocupada pela PM ou pela Guarda Municipal 24 horas por dia”, destaca.
O lavrador José Falda mora em Apucarana (Centro-Norte) e achou a ideia boa. “ Sexta-feira tinham cinco pessoas dormindo aqui. Se mudarem o embarque para o piso superior será bom para a gente, porque lá em cima é mais gostoso, mais confortável”, classifica. Para a dona de casa Idalina Jesus Rodrigues, que é de Bela Vista do Paraíso (Região Metropolitana de Londrina), com o local de embarque todo aberto, ela sente um pouco de medo. “Esses dias atrás um morador de rua me perturbou, queria dinheiro e eu não tinha. Meu marido quase o agrediu de tanto que importunava. Se mudarem o embarque lá em cima terá um tipo de segurança”, afirma.
O morador em situação de rua, Wellington Moreira da Silva classificou a medida como desumana. “Não teremos lugar para dormir. Os abrigos não têm vaga. Aqui a gente fica um ao lado do outro e ninguém atrapalha ninguém. Eu nunca fui preso e nem sou ladrão”, exclama.


