Todos os dias entre duas e quatro pessoas são furtadas dentro da Rodoviária de Curitiba, segundo soldados do posto da Polícia Militar (PM), que funciona anexo ao Terminal. Os furtos crescem toda vez que aumenta o movimento na Rodoviária - em feriados, por exemplo. Desde janeiro, aconteceram 42 furtos, conforme dados da PM. O número de vítimas, porém, é seguramente maior. O cabo da PM Rubens Schlosser, que trabalha no posto, diz que a maioria das pessoas furtadas não registra queixa porque somente percebe o furto durante a viagem ou depois de chegar ao destino.
A maior parte dos furtos registrados pela PM (15), ocorreu em fevereiro. Em março, foram 11; janeiro, 9; e abril, 7. Ao todo, a PM fez 372 abordagens e prendeu 39 pessoas. Quando descobrem o furto, as vítimas não costumam registrar os crimes. A professora Marisa Garibotti Comassetto, 47 anos, é um exemplo. No mês passado, ela pegava um ônibus para Concórdia (SC) quando percebeu que sua carteira havia sido furtada por um homem que pedia informação ao motorista. O furto foi tão rápido que Marisa só o percebeu porque havia desconfiado do cidadão. Rapidamente ela verificou a bolsa, que tinha o zíper um pouco aberto. Sem pensar na reação do homem, perguntou a ele sobre a carteira. Depois de refazer a pergunta, Marisa recebeu a carteira de volta.
Apesar de ter sido furtada, a professora simplesmente entrou no ônibus e foi embora. O motorista, que assistiu a cena, conformou-se em dizer que o fato é corriqueiro. ‘‘Acontece quase todos os dias’’, teria dito ele, segundo Marisa. Outros passageiros também teriam visto o crime e nada fizeram. A polícia nem chegou a ser avisada. O ladrão continuou livre.
O administrador da Rodoviária, Jair José Carvalho, afirma que a população tem parcela da culpa pelos furtos, por não se prevenir e facilitar a ação dos punguistas. Apesar de haver um sistema de som no terminal, Carvalho afirma que a administração tem orientado os passageiros a se cuidar através da imprensa, quando esta faz reportagens em dias de grande movimento. Dois fiscais e três PMs trabalham na prevenção de crimes na Rodoviária.
Segundo Carvalho, todas as vítimas são orientadas a procurar o posto da PM. Lá, no entanto, são novamente orientadas, desta vez a procurar a Polícia Civil para registrar a queixa. Documentos que são achados no terminal, diz o administrador, são encaminhados, depois de uma semana, à agência dos Correios, que mantém uma listagem dos papéis recebidos.Kraw PenasCalmariaRodoviária vazia e ronda policial: receita para evitar furtos. Punguistas usam tumulto do embarque para agirJames Alberti

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