No domingo, dona Maria utilizou a rodoviária nova de Campo Mourão pela primeira vez. Não gostou. Ela foi levar a irmã para o embarque para Curitiba e não se conformou com o fato de não poder acompanhá-la até o ônibus. Os abraços de despedida tiveram que ser feitos uns 50 metros antes, uma vez que uma ‘‘cerquinha’’, como diz dona Maria, impede o acesso de quem não é passageiro.
‘‘Minha irmã estava cheia de malas e teve que ir sozinha’’, protesta. Moradora de Campo Mourão há mais de 30 anos, ela estava acostumada com a rodoviária velha onde as despedidas, muitas vezes, aconteciam no corredor do ônibus. Dona Maria jura que não se importa em trocar abraços um pouco antes, mas quer ter o direito de ajudar as pessoas a embarcar. É o caso da irmã, Aparecida, que veio somente passar o final de ano com a família.
Dona Maria pensou em reclamar na prefeitura, mas desistiu. Foi informada por um vizinho que isso não adianta porque agora a rodoviária pertence à uma empresa. Dona Maria sente um mal natural do ser humano: a resistência à mudança. Nem adianta falar para ela que a nova rodoviária tem até carrinhos para o transporte das malas. Não foi assim que ela aprendeu a embarcar. Ela só queria ajudar a irmã, algo que fez a vida inteira.
O motorista de ônibus Justino ficou sabendo da queixa de dona Maria e fez questão de dizer que não concorda com ela. Segundo ele, havia abusos e muitos parentes e amigos chegavam a atrasar a saída porque ficavam de bate-papo no corredor dos ônibus. ‘‘Na hora da partida a gente tinha que pedir para quem não fosse passageiro que saísse do ônibus’’, conta. A época do romantismo na hora do embarque acabou.
Mas Justino aproveita para também fazer suas críticas. Ele diz que o terminal foi mal planejado e que quando três ônibus encostam em plataformas uma ao lado da outra, o ônibus do meio não consegue sair. Em outra situação há postes que atrapalham e obrigam os motoristas a fazer diversas manobras. ‘‘Nunca vi isso na minha vida’’, reclama. Para Justino e dona Maria, a rodoviária velha, apesar de feia e pequena, era boa e eles não sabiam...

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