'Rodovia' estreita oferece perigo
Silvana Leão
De Londrina
A colisão frontal entre um Passat (placas BFD 4691, de Londrina) e um Gol (placas AAM 5889, de Cambé), por volta das 18h30 de domingo, na Rua Angelina Ricci Vezozzo, no Parque das Indústrias Leves (zona leste de Londrina), provocou trauma de abdômen em Francisco Miguel Palomo Lopes, que está internado no Hospital Evangélico. Os outros envolvidos no acidente, Alice Tereza de Lima e Jorge de Andrade não tiveram ferimentos graves.
Muitas das pessoas envolvidas em acidentes anteriores na região, porém, não tiveram a mesma sorte. A falta de acostamentos e sinalização horizontal, somadas ao tráfego intenso, tem feito vítimas fatais. Apesar de ser batizada de rua, a Angelina Vezozzo tornou-se uma espécie de rodovia de acesso às empresas instaladas na Cidade Industrial, como a Dixie Toga e Atlas Elevadores. Alguns minutos no local são suficientes para registrarmos a passagem de um grande volume de carros e caminhões.
Mesmo assim, o projeto de duplicação, que já está há anos no orçamento do Estado, nunca saiu do papel. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) já fez o levantamento de custos, mas o Governo não tem recursos, explica o secretário de Obras do município, José Righi de Oliveira. Segundo ele, a obra custaria R$ 3,5 milhões, dinheiro que a Prefeitura de Londrina também não tem como dispor. Paliativamente, temos feito roçagem do mato, limpeza das canaletas e sinalização vertical, disse o secretário.
Um dos principais problemas da rua é o fato de ser estreita para comportar duas mãos. Na ponte do Ribeirão Quati ainda há um estreitamento, que impede a passagem de um caminhão e um carro ao mesmo tempo. Como muitos caminhões vêm embalados e não conseguem frear ao ver o outro veículo vindo na direção contrária, a ponte tem sido palco de vários acidentes.
A situação da rua preocupa membros da família Deliberador, que moram em uma chácara próxima - onde foi feito uma espécie de condomínio fechado - há vários anos. Quando a propriedade foi comprada e as primeiras casas construídas, o local era muito tranquilo e a rua sequer era asfaltada. Hoje em dia, os moradores não passam uma semana sem prestar socorro às vítimas de acidentes ou serem requisitados para acionar o Siate. Às vezes há mais de um acidente no mesmo dia.
Muitas vezes o movimento é tanto que, para conseguir entrar na chácara, a gente tem que passar direto, ir até a Avenida Saul Elkind e depois retornar, para não correr o risco de um caminhão passar por cima da gente, queixa-se a professora Simone Zacarias Deliberador. Ela diz que o perigo aumenta nos dias de chuva, quando a descida próxima à ponte é tomada por barro.
Simone lembra também que grande parte dos acidentes ocorre com os carros que tentam sair das ruas perpendiculares e se chocam com aqueles que descem em grande velocidade pela Angelina Vezozzo. A rua é cheia de altos e baixos e, em vários locais, o motorista não tem visão nenhuma, diz, lembrando que à noite é ainda pior, porque praticamente não há iluminação.
Para a empresária Ana Maria Menezes Deliberador, que mora há mais tempo na chácara, a Cidade Industrial tornou-se um pesadelo para a família, já que, na sua opinião, o acesso às indústrias não foi previsto adequadamente. Segundo Ana Maria, um funcionário da chácara da família já morreu atropelado, ao trafegar de bicicleta pela rua.





