Marcos NegriniPista e trilhoO semi-reboque fabricado por empresa maringaense anda sobre os trilhos como se fosse um vagão de trem Uma empresa de Maringá apresentou ontem à imprensa o primeiro semi-reboque intermodal, ou rodotrilho, fabricado no Brasil. O equipamento, uma carreta com 12 metros e 40 centímetros de extensão, pode andar sobre o asfalto ou sobre trilhos, sem necessidade de qualquer mudança em sua estrutura.
O invento surgiu há dois anos. Foi uma idéia conjunta do empresário João Noma, de Maringá, do engenheiro Eduardo David e da Rede Ferroviária Federal, secção carioca. Em parceria desenvolveram o trabalho, que resultou em duas carretas que estão sendo usadas em empresa da Vale do Rio Doce, em Além Paraíba, divisa de Minas Gerais com o estado do Rio.
Como não havia recurso financeiro para a fabricação em série, o trabalho ficou estagnado. Foi retomado no início deste ano pela empresa Noma - Equipamentos para o Transporte Intermodal, de Maringá, especializada na fabricação de carretas.
João Noma, 50 anos, há 39 em Maringá e há 30 à frente da empresa, explica que o rodotrilho vai economizar o tempo do transbordo entre o vagão e o caminhão e vai descongestionar o trânsito nas rodovias, diminuindo o número de acidentes e reduzindo o consumo de combustível e de pneus. ‘‘Uma carreta pode chegar a Curitiba sobre trilhos; lá, o cavalinho pega a carreta e distribui sua carga pela região. Findo o serviço, devolve a carreta à locomotiva, para retornar ao ponto de origem’’, disse Noma.
O técnico-mecânico e gerente comercial Kimio Mori mostrou como funciona o semi-reboque: o cavalinho (caminhão) estaciona a carreta sobre os trilhos, em cima de dois ‘‘trucks’’ (carrinhos de suporte sobre trilhos). Uma roda fixada embaixo da carreta, que tem suspensão pneumática, coloca o equipamento em cima do truck.
A fixação é feita através de um pino-rei, especial, com três polegadas de diâmetro - o pino convencional das carretas normais tem duas polegadas. As rodas da carreta ficam suspensas a 18 cm do chão. Uma locomotiva pode puxar até 50 carretas.
As duas carretas mostradas ontem são as primeiras fabricadas em escala industrial no País. Já existem pedidos de entrega para empresas argentinas que estão participando do Mercosul. O material utilizado para a fabricação de um semi-reboque é 100% nacional, garante Mori.
Dos 350 empregados da empresa, 100 trabalham na montagem dos rodo-trilhos. Para montar uma dessas carretas, que pode carregar até 30 toneladas, a empresa gasta 90 dias. O custo de cada uma é de US$ 40 mil. Uma carreta normal custa US$ 20 mil.

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