Rocha Pombo vai ganhar revitalização
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quinta-feira, 15 de setembro de 2005
Francismar Lemes<br>Reportagem Local 
O abandono fez dos folclóricos caminhos abertos na Praça Rocha Pombo pelos que desembarcavam na ferroviária ou rodoviária, dando origem ao traçado do largo, acesso para os personagens que sobrevivem da decadência de um dos principais bens culturais londrinense.
Depois de décadas de degradação, o Patrimônio Histórico e Artístico do Paraná aprovou o projeto de recuperação da praça - o que desperta a expectativa de que volte a ser uma área de lazer com segurança, além da revitalização paisagística.
Tombada pelo patrimônio estadual em 1974, a Rocha Pombo faz parte do conjunto histórico dos antigos prédios da rodoviária, atualmente Museu de Arte de Londrina (MAL), obra de Vilanova Artigas, e da ferroviária, que abriga o Museu Histórico Padre Carlos Weiss.
O barulho dos ônibus que chegam e saem do Terminal Urbano, atualmente, não ensurdece as curiosidades sobre a praça, que se agitou com um acidente aéreo em 1947. Na tragédia, dois aviões colidiram, sendo que um deles caiu na Rocha Pombo e o outro a 300 metros do depósito de uma lenhadora.
Mas a imagem que muitos londrinenses têm da praça é bucólica, refletida pela fonte luminosa no espelho d'àgua com peixinhos vermelhos. Esse cenário poderá ilustrar, novamente, as tardes domingueiras da população, desde que a revitalização projetada pela arquiteta londrinense Andréa Torchi, que venceu licitação da Sercomtel, saia do papel.
A diretora de Patrimônio Histórico-Cultural da Secretaria Municipal de Cultura, Vanda de Moraes, afirma que, com a aprovação do projeto pelo Patrimônio Estadual, começa a fase de levantamento dos custos e a busca por recursos para a obra, que pode ser realizada em 2006.
Rastros dos pioneiros foram deixados na Rocha Pombo, através da vegetação. Entre as espécies estão 17 tamareiras - árvore que leva 150 anos para frutificar - demarcando a cultura árabe, uma das etnias que colonizaram a região. ''Uma questão que demorou para ser aprovada pelo Patrimônio foi a situação dessas árvores, que não podem ser tiradas da praça'', explica Vanda.
O projeto prevê, além da restauração do espelho d'água e da fonte luminosa, com a reativação da antiga bomba, que pelas informações ainda funciona, obras que devolverão as características originais das escadas que dão acesso ao MAL e que, atualmente, servem de depósito.
''Será construído também um mirante logo acima, com um portão de acesso ao Museu de Arte. Teremos ainda um gradio com um metro de altura para dar segurança às pessoas que contemplarão a cidade do mirante. Já o espelho d' água terá um tratamento em pastilhas de vidro na tonalidade azul. Serão dois chafarizes. Um com um jato de água maior e outro, menor'', afirma Vanda.
A massa asfáltica que descaracterizou a praça em uma das reformas será substituída por pavers, revestimento com peças que se encaixam e oferece mais segurança às pessoas que caminham, além de permitir a permeabilidade do solo. Os bancos de concreto serão substituídos por outros semelhantes aos instalados no Bosque. ''A nossa intenção é padronizar os bancos, floreiras e lixeiras'', destaca Vanda, dizendo ainda que os postes de iluminação da praça seguirão essa tendência.
''Pretendemos instalar postes iguais aos que temos na Praça Floriano Peixoto. Na Rocha Pombo também temos cinco quiosques que devem deixar aquele espaço com a revitalização. É importante ressaltarmos que não é só a praça que é importante para os londrinenses. É o chão. Ali, naquele trecho, nas primeiras décadas da cidade, desembarcou todo mundo que chegou e ficou'', conclui Vanda.


